quarta-feira, 23 de novembro de 2011

E o show vai continuar!

Você leitor, que por acaso continua a acompanhar este blog por algum motivo, e você novo leitor que acaba de se deparar com este post, saibam que o show vai continuar!

Neste intervalo de tempo, amadureci, apreendi conhecimentos, novas culturas e subculturas, novos gêneros literários e muitas outras coisas que antes eu não tinha. Afirmo que minha mente se expandiu de tal forma que não mais é possível que volte ao tamanho normal, como diz a famosa frase de Eisntein.

Pois afirmo que pretendo seguir com o Projeto Shinobi, mas reformularei a estrutura do livro. A história continuará sendo basicamente a mesma, o que mudarão são os ambientes, a época e o cenário em que se passa.

Atualmente estou em época de provas, mas quando de férias, pretendo reorganizar meu trabalho e continuá-lo, se possível, até seu fim.

Carry on, lads!

sexta-feira, 27 de maio de 2011

O show deve continuar

Saudações você que leu até aqui este meu blog que fiz para divulgar meu livro! E você que chegou aqui por acaso, leia as postagens anteriores que você entenderá minhas próximas palavras!

Estou aqui para dizer que o futuro é incerto. Continuo a escrever meu livro fervorosamente, mas como perceberam já não posto capítulos aqui faz um bom tempo. Tenho andado muito ocupado ultimamente, e tenho tido pouco tempo de navegação na internet. Esses fatores, acompanhados de alguns outros, são os que me fizeram parar de publicar capítulos, pelo menos por hora.

Além disso, estou também relendo e revisando tudo o que já escrevi, visando deixar o livro final mais bem escrito. Algumas partes foram alteradas, alguns parágrafos acrescentados, outros removidos.

Não sei o que o futuro me reserva, na realidade não sei o que vai acontecer com clareza, mas eu sei de uma coisa: continuarei escrevendo o livro, até que eu esteja satisfeito com ele. E depois, quem sabe, procurar alguma editora que esteja interessada em publicá-lo? Ou procurar um cartunista para fazer uma graphic novel? Ou quem sabe um mangá? As opções são muitas.

E é isso. Não acho que tenho algo mais a declarar, pelo menos por hora...

segunda-feira, 28 de março de 2011

Capítulo 5 - Caminhos separados

            Os cinco estavam agora andando pelo estreito corredor que levava ao depósito de lixo do complexo. A cada passo que davam mais forte ficava o cheiro de lixo. Podiam ver alguma luz no final do corredor, o que os motivou a continuar andando. Quando o corredor acabou, viram-se cercados por diferentes tipos de dejetos, e estavam pisando numa espessa camada de lixo. O depósito era um imenso cubo de concreto, com muitos dutos e entradas de serviço vindas de todo o complexo. Depois de um certo tempo o lixo era retirado em grandes caminhões e transportado para um aterro sanitário especial, escondido, para que eventualmente ninguém pudesse encontrar algo que tenha sido descartado. O cheiro lá dentro era horrível e o ar, tóxico, por isso não era bom gastarem seu tempo ali.
            -Doutor, - começou Edge, em vista da situação em que se encontravam – você por acaso tem algum plano de fuga?
            Rogério fitou-lhe com um olhar um pouco incerto, e respondeu:
            -Na verdade, meu plano tinha acabado a um minuto...
            Edge e os outros se entreolharam, cada um tentando arquitetar um plano para saírem dali. Não demoraria muito para que os encontrassem lá, mas se o fizessem talvez já estivessem mortos por conta do ar tóxico. Foi Jennifer quem tomou a iniciativa e falou:
            -Acho que teremos mais chance se nos dividirmos em grupos. Violet e Axel – apontou para os dois – vão por um lado, e o doutor, Edge e eu vamos para o outro lado.
            Os quatro fizeram um sinal afirmativo com a cabeça, e logo estavam prontos para partir. Porém antes de partirem Rogério chamou Violet e Axel e falou:
            -Qualquer  coisa, se no final disso tudo nos separarmos, procurem o Dr. Ramon Vilarín, em São Paulo. Ele é um amigo meu, e é confiável.
            Violet observou a expressão na face de Rogério. Parecia estar muito preocupado com tudo aquilo.
            -Talvez não precisemos disso. – disse ela – Faremos o máximo possível para encontrá-los lá fora.
            Nenhum deles sabia por onde sairiam, e os rádios comunicadores só tinham um alcance de 750m, portanto realmente não sabiam se poderiam se encontrar mais tarde. Além do mais, os comunicadores poderiam ser facilmente rastreados lá dentro, então não era uma opção muito segura, e lá dentro também havia câmeras de segurança. Sabiam que a fuga seria muito difícil, mas não tinham escolha, tinham que tentar.
            Jennifer veio na direção de Violet e a abraçou, dizendo em seu ouvido:
            -A gente se encontra lá fora!
            Soltou-a e juntou-se a Edge e Rogério, que logo acenaram uma despedida. Violet e Axel a retribuíram, e logo ambos os grupos partiram, um para cada lado. Entraram em diferentes passagens e perderam-se de vista.
            Agora Axel e Violet tentavam andar o mais depressa possível, e com o mínimo de barulho. Conseguiam enxergar parcialmente no escuro, portanto não precisavam de uma lanterna. Não sabiam como, mas pensavam agora que talvez fosse resultado de algum dos experimentos em que o governo os envolveu.  Logo chegaram ao final da passagem, uma passagem de ar com aberturas pelo qual podia-se ver e ouvir o que se passava do outro lado. Espiaram e viram um corredor com somente uma saída, que era uma junção com outros corredores logo à frente. Vigiando os corredores adjacentes estavam dois soldados vestidos com um uniforme militar e armados com rifles de assalto. Violet e Axel pararam e ouviram a conversa dos dois:
            Eles são realmente difíceis de encontrar – disse o da direita, mais baixo e fisicamente mais fraco que o da esquerda.
            -São mesmo – respondeu o outro – Não duvido que já tenham escapado.
            -Será que é verdade o que dizem? Será que eles tem superpoderes?
             -Claro que não! – falou o da esquerda – Ninguém tem superpoderes, isso não existe. E mesmo que tivessem, quais seriam?
            -Dizem que eles são invisíveis. Dizem que eles podem te matar só com o olhar. – falou o outro, um pouco preocupado.
            -Isso é besteira. – retrucou – Nenhuma pessoa consegue...
            Parou de falar, porque seu pescoço foi quebrado pelas mãos de Axel, por trás, que o girou em 180º. Também por trás, poucos décimos de segundo depois, Violet usou as lâminas em seus braços para cortar o pescoço do menor, espirrando sangue por quase todas as direções. Poucos segundos se passaram e os dois soldados jaziam no chão, sem vida.
            Violet e Axel não se sentiram sequer incomodados pelo ato que acabaram de cometer. Foram exaustivamente treinados para se manterem calmos em qualquer situação, e também receberam treinamento especial de assassinato silencioso, então aquilo tudo não era novidade para eles.
            Analisaram os pertences dos soldados e encontraram granadas, que foram coletadas, e um mapa daquele setor. Observaram o mapa atentamente, procurando a saída mais próxima de onde eles se encontravam. Encontraram uma entrada de serviço, que dava na superfície, mas teriam que passar por alguns corredores e depois por uma sala marcada no mapa como “Sala de pessoal” para chegar lá. Se entreolharam, imaginando o que os esperava pelo caminho, e Axel falou:
            -Nós vamos conseguir. Estamos perto.
            Violet concordou com a cabeça e ambos foram em direção à saída. Enquanto corriam pelos corredores, Violet pensava em tudo o que tinha ocorrido naquele dia. Ela não tinha sofrido um acidente quando criança, ela tinha sido usada como um experimeto científico; ela não ganhou os braços e pernas que tinha para sobreviver, e sim para ser uma arma; ela não recebeu todo aquele treinamento, tanto físico quanto psicológico, para ajudar o governo que a ajudou, ela recebeu todo aquele treinamento para ajudar o governo que não a ajudou, mas que mentiu e lhe roubou toda a sua infância. “Podia ter tido uma vida normal” pensava ela, “mas não tive. Fui obrigada a fazer coisas que não queria, fui obrigada a viver uma vida que eu não queria viver.” Violet estava muito furiosa por dentro, mas sabia que não podia soltar sua raiva porque poderia comprometer sua fuga. Devia reprimir suas emoções, recebeu treinamento para isso, mas naquele momento era muito difícil.
            Os dois viraram num corredor e se depararam com um soldado andando em sua direção, virando no corredor onde acabaram de sair. O soldado foi surpreendido pela figura que tinha encontrado, e somente conseguiu apontar sua arma quando era tarde demais. Violet tinha perfurado seu estômago com suas lâminas, e Axel pulou e deu-lhe um poderoso chute na cabeça, que o desacordou rapidamente. O soldado foi deixado no chão, quase morto, e os dois retomaram o caminho. Logo chegaram à Sala de Pessoal. Estavam num piso superior, com uma escada logo ao lado, de onde podiam observar a situação lá embaixo. A sala era quadrada, alta, toda revestida de metal, com cinco extensas fileiras de armários, que iam até o final da sala. De onde estavam podiam contar oito soldados patrulhando a área, todos armados com uniformes militares, metralhadoras de curto alcance e alguns outros pequenos adereços, dois soldados para cada corredor de armários.
            Violet e Axel sabiam que aquele era o momento definitivo de suas fugas. Se passassem daquilo, estariam livres. Armaram um plano, cochichando.
            -Eu pego os quatro da esquerda – disse Violet.
            -E eu os quatro da direita – completou Axel.
            Armado o plano, os dois se posicionaram logo acima dos inimigos, e iniciaram silenciosamente uma contagem regressiva. Estavam calmos com aquela situação, eles foram treinados para situações como aquelas, e quando a contagem chegou a zero, ambos pularam em um dos quatro corredores, e Violet perdeu Axel de vista.
            Os dois soldados que estavam no corredor não tinham percebido sua presença, então ela pegou uma pequena granada em seu cinto e puxou-lhe o pino com a boca, depois jogando-a no corredor ao lado, para abater os dois soldados que lá estavam. Andou até o soldado logo a sua frente, que estava de lado e não a percebeu chegando, e segurou-lhe por trás da cabeça e cortou-lhe o pescoço com a lâmina em seu braço direito. O outro soldado rapidamente percebeu a movimentação de seu parceiro e virou-se, finalmente visualizando sua inimiga. Começou a atirar-lhe com a metralhadora que tinha em mãos, e Violet segurou bem firme o soldado que acabara de matar, usando seu corpo como um escudo. A granada que tinha jogado no outro corredor finalmente explodiu, e ela e o soldado restante ouviram gritos de dor vindos do outro lado. O soldado continuou atirando, sem acertar sequer um único tiro em sua oponente, que agora pensava em alguma maneira de agir. Sacou a pistola que tinha em seu cinto e começou a atirar de volta, apoiando a arma no ombro no cadáver que segurava. Tinha recebido extenso treinamento de uso de armas de fogo, então mirou com precisão na cabeça do inimigo, tirando-lhe a vida com um tiro certeiro.
            O soldado foi ao chão, morto, e Violet soltou o cadáver que segurava, que agora estava com muitas perfurações decorrentes dos disparos a qual foi submetido. Ouviu sons de disparos vindos de outro corredor, e deduziu que Axel estava cuidando dos outros quatro soldados naquela sala. Já havia visto ele lutar inúmeras vezes, contra os mais diversos inimigos e nas mais diversas condições, e nunca o vira perder sequer uma vez. Ela confiava sua vida a ele, por isso estava certa de que cuidaria de tudo. Estava com algumas manchas vermelhas de sangue em sua roupa, mas não se importou com isso, concentrando-se em seu objetivo. Olhou para cima, procurando por câmeras, e avistou duas que podiam ver o que se passava por toda aquela sala. “Eles já sabem onde estamos” pensou ela. “Logo devem chegar reforços, temos que nos apressar.” Deu uma olhada no corredor onde tinha explodido a granada, para checar se alguém tinha sobrevivido. Viu que não, e correu até o final da sala, até a porta de saída. Abriu-a, e deparou-se com um corredor longo e largo, retangular, com uma porta de aço ao fundo, posta ao lado de um aparelho que Violet identificou como sendo um detector de digitais. “Preciso de uma mão aqui” pensou ela.
            Correu em direção ao início da sala, e encontrou Axel vindo em sua direção. Também estava manchado de sangue da cabeça aos pés, e ao ver Violet correndo na direção oposta à que deveriam ir perguntou-lhe:
            -Violet, aonde está indo?
            -Vai indo na porta, que eu vou pegar uma coisa lá atrás e já volto! – respondeu ela, ainda correndo e com um leve sorriso no rosto.
            Chegou ao local onde tinha explodido a granada, e procurou por uma mão. Por sorte achou uma que tinha sido arrancada com a explosão da granada, então bastou pegá-la e correr de volta à porta do corredor, onde Axel a esperava. Juntos correram em direção à porta de saída, Violet indo na frente, ansiosa. Não queria passar mais um minuto naquele lugar, onde lhe foi privada da verdade por toda a vida. Quando alcançaram a metade do corredor, chamaram o outro grupo pelo rádio. Foram respondidos por Edge:
            -Estamos bem, já localizamos uma saída, e estamos indo para ela. Qual a sua situação? Câmbio.
            -Estamos saindo agora. – respondeu Axel, com voz firme – Logo estaremos fora e procuraremos um lugar seguro. Câmbio.
            -OK, nos encontramos lá fora. Câmbio e desligo.
            Axel guardou o rádio, e seguiram em frente. Agora faltavam poucos metros para saírem de lá, então Violet começou a correr ainda mais rápido, ansiando por liberdade. Imaginava como seria viver lá fora, entre todas as pessoas e todo o mundo. Voltou a si quando percebeu que tinha acionado um mecanismo com os pés. Ouviram fortes sons de engrenagens por trás das paredes, e passou pela mente de Violet que ela tinha estragado tudo.
            Uma rede foi disparada de um pequeno buraco em cima da porta de saída. Diante da ameaça, Violet não fechou os olhos: foi-lhe ensinada a nunca fechar os olhos diante do perigo, mesmo que fosse de morte. Ao invés disso ela rapidamente começou uma manobra evasiva, mas estava muito perto da rede, sem chances de se esquivar. Já se preparava para o choque iminente, quando sentiu um forte empurrão vindo de trás: era Axel, que a empurrava com toda sua força para o lado. Tinha uma força sobre-humana, então Violet foi violentamente arremessada contra a parede do corredor, escapando por pouco de ser pega pela rede. Axel não conseguiu se desviar, e a rede o envolveu por completo, fixando-se fortemente no chão em seguida. A ação toda se passou em menos de três segundos.
            Violet se recuperou do forte choque contra a parede e logo viu que Axel fora capturado. Parecia estar sentindo muita dor, porque não estava conseguindo mexer-se muito bem por baixo da rede, mas parecia estar resistindo à dor pois não gritava nem reclamava. Ela correu em sua direção para socorrê-lo, mas quando encostou na rede para arrancá-la sentiu uma forte corrente elétrica passar por todo seu corpo, e soltou um pequeno grito de dor. Recuou alguns passos, recuperando-se do inesperado choque elétrico, e tratou de pensar em uma outra maneira de livre-lo de lá. Reforços estavam à caminho, então não tinha muito tempo para ficar refletindo.
-Axel, vou te tirar daí! Só espere um momento! – gritou ela à Axel, para tentar acalmá-lo. Tentou cortar a rede com a lâmina em seu braço, sem sucesso: não podia evitar a eletricidade, e a rede parecia ser reforçada, quase que imune à cortes. Com a força da corrente elétrica, Violet calculou que teria pouco tempo antes que ele desmaiasse por conta da eletricidade. Axel, resistindo fortemente à corrente elétrica, disse em voz baixa e fraca:
            -Violet...
            -Eu já sei o que você vai falar, vai falar para eu te deixar aqui! – disse ela, considerando todas as opções possíveis que podia pensar – Mas eu não vou te deixar, vamos sair dessa juntos!
            Sacou sua pistola e tratou de atirar contra o tecido da rede, que não mostrou fraqueza e resistiu aos disparos sem dificuldades. Parecia ser um pouco elástico, não era um tecido comum. Estava quase sem opções, então tentou cortar a rede com sua lâmina novamente, desta vez segurando a rede com a outra mão, para ser mais efetivo. Segurou-a e começou a sentir a forte corrente elétrica fluindo por seu corpo, mas se esforçou ao máximo para manter o controle da dor e tentar cortar a rede. Começou a cortar com sua lâmina, vagarosamente, com o braço trêmulo da dor que sentia, mas por mais que tentasse, por mais que se esforçasse, a rede não cedia. Sem agüentar mais um segundo de dor, Violet soltou a rede e recuou, esgotada. Axel então juntou todas as forças que ainda lhe restavam e gritou:
            -Violet, Saia daqui! Não há tempo! Se ficar tudo isso seria perda de tempo!
            Ela não queria acreditar, queria pensar em alguma maneira de saírem juntos dali, mas no fundo sabia que não poderiam. Uma onda de decepção e tristeza a abalou por dentro, fazendo-a perder momentaneamente a noção de tudo o que acontecia. Tinha que tomar uma decisão, por mais difícil que fosse: ou somente Axel seria capturado, ou ambos seriam. Axel não queria que tudo fosse em vão, que eles tivessem chegado até ali para nada; ele queria que Violet escapasse, queria que ela o abandonasse para se salvar. Ela certamente queria sair dali, mas não deixando Axel para trás. Muitos pensamentos passavam por sua mente, influenciando-a para que tomasse uma decisão logo. Sentiu um terrível aperto no coração ao finalmente se decidir.
            Correu em direção a Axel e inclinou-se sobre o mesmo, pegando o rádio que estava em seu cinto e falando, com raiva:
            -A gente ainda vai se encontrar depois! É uma promessa! – dito isso, virou-se e correu em direção à saída. Pequenas lágrimas começaram a sair de seus olhos, enevoando-lhe um pouco a visão. Respirou fundo e continuou se caminho, pegando a mão do soldado que tinha caído no chão. Logo chegou à porta e encostou a palma da mão que tinha recolhido no detector de digitais. A porta fez um estalido metálico, e uma pequenina luz verde acendeu no painel ao lado. Violet olhou uma última vez para trás, vendo o corpo de Axel estirado no chão, coberto pela rede, e deu uma última declaração a seu parceiro:
            -A gente vai se ver de novo! – abriu a porta e atravessou o portal, sem olhar para trás, e em seguida a fechou.
            Estava do lado de fora agora. Estava escuro, e podia ouvir um barulho de chuva embora não a sentisse cair em seu corpo. Mal observou os arredores e ligou o rádio, tentando contactar o outro grupo.
            -Jennifer! Edge! Rogério! – ela falava alto e claramente, mas só recebia sons estáticos de volta. Presumiu que o rádio não estava mais funcionando devido ao choque que recebera quando a rede caiu sobre Axel. Virou-se para a parede ao seu lado e socou-a, tentando esvair-se da raiva que sentia por dentro. Lágrimas de tristeza caíram de seus olhos, que agora estavam fechados para que Violet pudesse se concentrar. Deixara um amigo para trás, não podia contactar os outros três, e estava completamente sozinha num lugar completamente estranho. Passou-lhe pela mente que não poderia ficar por ali por mais tempo, visto que a razão pela qual abandonara Axel era por que reforços estavam chegando. Abriu os olhos e observou onde se encontrava: via a porta por onde veio, e em sua frente uma pequena rampa coberta, levando até um lugar aberto e pouco iluminado, onde caía a chuva. Correu para a luz, e logo sentiu a água fria da chuva sobre seu rosto descoberto. Estava agora num tipo de beco, com algumas latas de lixo em sua volta, e com uma pequena saída para a rua. Olhou para cima, para observar de onde veio, e vislumbrou um enorme prédio comercial, com no mínimo vinte andares.
            Tendo analisado a área, Violet planejou sua fuga com cautela. Decidiu-se por subir ao prédio ao lado, mais baixo, e depois observar a região a sua volta. Apontou seu braço direito para o topo do prédio, e dele saiu um gancho em alta velocidade, com uma corda, que perfurou a fachada do prédio. Ela então foi puxada pelo gancho, subindo com facilidade até o topo. De lá, mesmo que estivesse escuro, podia distinguir certos edifícios na paisagem: viu de longe dois prédios altos, iluminados pelo chão, ao lado de outro prédio menor com duas estranhas cúpulas brancas sobre ele; conseguia ver muitos outros prédios, de tamanhos e materiais variados; or prédios não ocupavam toda a paisagem: podia ver muitas rodovias, todas com bastante movimento, levando a várias direções. Nunca tinha visto aquela cidade ao vivo, mas sabia muito bem onde estava: estava em Brasília, a capital do país.
            Não tinha tempo para observar a paisagem, tinha que sair de lá o mais rápido possível. Mas para onde iria? O que faria? Agora somente tinha uma escolha, somente uma pessoa em quem confiar: iria para São Paulo, encontrar-se com o Dr. Ramon Vilarín.

domingo, 27 de março de 2011

Prólogo do capítulo 5

Uma verdade escondida é enfim liberada. Ódio e dor adentram o coração de Violet como se fosse a mais afiada lâmina do mundo. Tudo em que acreditara até agora não passava de uma simples ilusão. O que faria agora? No que acreditaria? Em quem confiaria? Muitas incertezas passavam por sua mente, e somente uma certeza ela conseguia encontrar: tinham que sair dali. Os Shinobi lutam por liberdade, e por suas vidas.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Tentativa de Desenho de Personagem nº1: Vigilante

Saudações ávidos leitores! Demoro para postar o próximo capítulo porque estou trabalhando em alguns projetos paralelos, como este aqui: as Tentativas de Desenho de Personagem!

Pois é, enquanto escrevo a história, ainda tento desenhar os personagens ao meu ver. Já disse antes que não sei desenhar, então por favor, não me matem por causa disso!

Aqui está o processo que usei para desenhar:



Primeiro, desenho um rascunho em papel. Depois digitalizo e passo os traços para vetores, para não perderem a qualidade. À seguir, faço as luzes e sombras da imagem, e por fim adiciono as cores. É um processo muito divertido, é realmente um ótimo exercício para que quer seguir carreira de artista digital. O resultado final é esse:


É mais ou menos assim que visualizo a Vigilante. É claro que me expresso melhor através de palavras, mas não custa nada tentar fazer um simples desenho, não?

Enfim, é isso que tenho para postar agora. Gostaram? Comentem! Depois tentarei desenhar outros personagens, então fiquem ligados! Já estou trabalhando para postar o Capítulo 5 o quanto antes, e acreditem: vai ser muito chocante!

Esperem para ver! Até logo! o/

terça-feira, 15 de março de 2011

Capítulo 4 – Revelações Chocantes

            Finalmente estavam em casa. Depois de uma longa semana numa longa missão de espionagem, voltaram ao lugar que podiam chamar de lar. Não era exatamente uma casa, era um quarto que continha tudo o que eles precisavam. Queriam ver um filme? Era disponibilizado. Queriam jogar algum jogo? Ele era adquirido. Queriam ler um livro? Ele logo aparecia na estante. Queriam dar uma volta? O jardim das instalações era aberto. Tudo era providenciado para o conforto deles, desde que servissem em missões especiais para o governo e que não fizessem uma pergunta sobre o assunto.
            Violet foi a primeira a adentrar o quarto. Ele era grande, quadrado, não tinham janelas, e cabiam as coisas de todos nele. Olhou para os lados, avistando os móveis que lá havia: uma estante com eletrônicos, um sofá bege e confortável, uma cozinha clara, completa com utensílios. Avistou sua cama, simples, com cobertor azul, que mais parecia uma cama de casal agora, depois de ter dormido tantos dias num colchão velho e duro, e às vezes no chão. Correu em sua direção, deu um pulo e caiu deitada sobre as cobertas, bagunçando-as. Fechou os olhos e espreguiçou-se lentamente, até que por fim pôs as mãos atrás da cabeça e relaxou. Nem esperou para trocar de roupa; o traje azul escuro que vestia a incomodava um pouco quando deitada, definitivamente não era uma roupa de dormir, e com certeza a cama não era um lugar adequado para colocar as botas que estava usando, mas ela nem ligou para isso. Estava tão cansada que foi direto para a cama. Os acontecimentos da missão que acabaram de completar passavam diante de seus olhos, embora Violet tentasse esquecê-los. Agora só queria descansar. Foi interrompida por uma voz feminina que lhe chamava:
            -Violet, você está bem?
            Abriu seus olhos lentamente, ofuscando-se por uns momentos com a lâmpada fluorescente que iluminava o quarto, e virou-se para o lado para ver quem a chamara. Avistou sua melhor, e única, amiga, Jennifer, ou S2, como era chamada durante as missões. Jennifer era poucos anos mais velha que Violet, e era também mais alta; sua pele era morena, e tinha longos e lisos cabelos loiros que lhe passavam os ombros; estava vestida com um traje vermelho, bem justo, igual ao de Violet, a não ser pelo tamanho e pela cor; como Violet, seu braço estava descoberto, e usava botas iguais. Jennifer estava a observando de perto, com seus grandes e hipnotizantes olhos azuis-turquesas. Jennifer era como a irmã mais velha de Violet; ela a aconselhava e a ajudava quando precisasse. Juntas, passaram por muitas situações difíceis. Diante do silêncio que Violet estava criando, ela repetiu:
            -Violet, você está bem? Nem chegamos e já foi se deitar?
            -Ah, é que estou muito cansada. Essa última missão foi muito cansativa.
            -Foi, mas nós já passamos por coisas piores. Tem certeza que não quer comer alguma coisa?
            Violet acabara de se lembrar: não tinha comido nada há horas. De repente sentiu uma imensa vontade de devorar algo para saciar sua fome. Sua barriga, como por vida própria, deu um ronco audível, ao que Jennifer comentou:
            -Aí está minha resposta. Vamos comer! – levantou-se do chão, ao lado da cama de Violet, e estendeu-lhe a mão. Violet levantou-se também, e juntas se dirigiram à área da cozinha, de onde podiam avistar dois corpos, um em pé e o outro sentado numa cadeira à mesa.
            -Gente, quem quer panqueca? – disse Edge, ou S3, que estava pegando os instrumentos para começar a cozinhar. Edge era negro, bem alto e forte, o que lhe dava o aspecto de ser violento, quando na verdade era muito simpático; seu hobbie era cozinhar, e sempre que podia experimentava receitas novas e tentava aperfeiçoá-las; estava vestindo um traje igual ao de Violet e de Jennifer, mas ele era uma versão masculina, mais larga, e sua cor era cinza; suas feições eram bonitas, ele tinha lindos olhos verdes, não tinha cabelo, e tinha lábios bem carnudos. Pegou todos os utensílios necessários e abriu a geladeira para pegar os ingredientes.
            -É lógico que eu quero! – respondeu Jennifer, de imediato.
            -Eu também vou querer algumas, estou faminta! – respondeu Violet, que em seguida sentou-se à mesa, junto a Axel.
            Axel, ou S1, era do tipo calado. Não gostava muito de falar, gostava de agir, mas gostava principalmente de aparelhos eletrônicos; era mais baixo que Edge, porém não deixava de ser alto; tinha cabelos curtos e ruivos, e transmitia seriedade e serenidade com seus olhos, que eram como os de Violet, só que ao contrário: seu olho esquerdo era azul e o direito era verde; usava um traje idêntico ao de Edge, mas com um tom bem escuro de vinho. Axel era como um irmão mais velho para todos, ele arriscava sua vida para protegê-los. De fato, os quatro cuidavam uns dos outros como uma família. Todos davam o máximo para proteger as vidas dos amigos, arriscando-se ao extremo.
            Edge acabou de pegar todos os ingredientes, virou-se para Axel e falou:
            -E você, cara? Quer panqueca?
            Axel levantou-se de sua cadeira e respondeu à pergunta. Sua voz era suave, serena:
            -Por favor. Enquanto isso vou arrumar minhas coisas e já volto.
            -É pra já! – disse Edge, que já começava a ligar o forno. Axel foi à área dos quartos enquanto os outros três ficaram conversando na cozinha. Quando voltou, as panquecas já estavam prontas, e os quatro jantaram juntos. Ao final do jantar todos sentaram-se no sofá em frente da TV para conversar.
            -Então, - comentou Jennifer – o que vocês acham que continham nos arquivos que pegamos nos computadores da Star Corp.?
            -Não sei, mas deviam ser coisas muito importantes para terem sido protegidas com aquele sistema de segurança. – respondeu Edge.
            -O firewall do sistemas deles era... incrível. – disse Axel, lembrando perfeitamente o quão bem construído tinha sido o firewall da Star Corp. – As linhas de códigos eram muito bem feitas, realmente foi muito difícil encontrar uma brecha.
Violet, que até agora nada falara, comentou:
            -E vocês viram quantos guardas estavam dentro do cofre de segurança guardando os terminais?
            -É mesmo, e acabamos com todos eles, não é Violet? – perguntou Jennifer, levantando a mão direita para cumprimentar Violet, que retribuiu o aceno e respondeu:
            -É isso aí!
            Após isso, um silêncio mortal reinou sobre o cômodo por alguns segundos. Os quatro sabiam que estavam pensando a mesma coisa, porém ninguém quis comentar sobre o assunto. A primeira que cortou o silêncio foi Violet:
            -Gente, quando é que isso vai acabar?
            -Fazemos isso desde que lembramos, certo? – perguntou-se Jennifer. – Desde a infância fomos treinados para isso, mas não quero mais isso!
            -Realmente, embora sejamos bem tratados aqui, não quero continuar com essa vida. Não gosto de matar pessoas. – citou Axel, o qual foi seguido por Edge:
            -Não quero mais essa vida! Quero viajar pelo mundo e aprender estilos culinários diferentes!
            -Que droga. Nós pelo menos recebemos alguma opção para nossas vidas? Não acho que... – Axel foi interrompido pelo barulho da porta de entrada, que acabara de ser aberta violentamente. Todos olharam para a porta e, treinados do jeito que foram, imediatamente prepararam-se para o pior, colocando-se em posição defensiva. Viram que era o Doutor Rogério, um dos cientistas da seção de pesquisas de armamentos, que entrara tão espontaneamente. Era loiro, bem magro, e usava óculos redondos e finos; vestia uma calça jeans e uma camisa cinza-claro por baixo do jaleco branco, que era uniforme padrão entre os cientistas. Rogério era o cientista favorito dos quatro, sempre se davam muito bem. Estava pálido e ofegante, aparentemente tinha corrido por certo tempo até abrir a porta e parar. Estava segurando vários apetrechos e armas, provavelmente vindos do laboratório de pesquisas. Olhou para os lados, procurando visualmente pelo grupo S, até que os avistou na sala. Ao identificar a figura de Roger, os quatro relaxaram um pouco, e Axel foi o primeiro a falar:
            -Dr. Rogério, o que est...
            -Não há muito tempo para explicações! – Rogério o interrompeu. Sigam-me que eu os explico no caminho!
            Todos estavam desorientados e confusos. “O que teria acontecido para que Roger ficasse tão atônito? E para onde ele quer nos levar?” pensava Violet.
            -Opa, espere aí, - exclamou Edge – do que você está falando? Para onde vamos?
            -Por favor, confiem em mim! Suas vidas correm grande perigo!
            Os quatro ficaram chocados diante da resposta. “Quem poderia querer nos matar?” pensou Violet. “Será que houve uma pequena falha na missão anterior e informações nossas vazaram? E também, nunca saímos do quarto sem autorização. Por que poderíamos sair agora?” Pensamentos semelhantes passavam pelas cabeças dos outros três. Todos sabiam que podiam confiar em Rogério, os equipamentos que fazia sempre os ajudavam, e muito, nas missões. Eles se entreolharam, em dúvida, até que Axel tomou a decisão final:
            -Bem, confiamos nele, não é? Vamos segui-lo então.
            -Ótimo. – disse Rogério ao ouvir a decisão do grupo – Mas antes vistam isso, vai ser útil.
            Rogério deu-lhes rapidamente os equipamentos que levava, que foram vestidos rapidamente. Todos pegaram luvas especiais e cintos de utilidades com pequenos bolsos com equipamentos menores dentro. Junto aos cintos colocaram uma pistola de 9mm cada um, com exceção de Jennifer, que pegou uma espingarda calibre 12 de cano serrado e amarrou-a no corpo com uma fita, deixando-a nas costas, onde poderia facilmente alcançá-la. Depois que todos estavam equipados, Dr. Rogério falou:
            -Agora me acompanhem. Contarei tudo no caminho. – e se dirigiu à entrada. Os outros quatro hesitaram por um instante, mas por fim saíram do quarto.
            Estavam agora no extenso corredor, sem janelas, com iluminação esparsa, completamente revestido por aço, que daria nos extensos corredores subterrâneos do complexo. Sempre passavam por ali quando embarcavam em uma missão, afinal era a única saída do quarto. Andaram até a metade do corredor, onde pararam em frente a uma fechadura quase imperceptível que havia na parede. Rogério pegou de seu boldo uma pequena chave e a girou dentro da fechadura, abrindo uma pequena passagem. “Nossa, tantas vezes que passamos por aqui e nunca percebemos esta passagem, nem ao menos esta fechadura.” pensou Violet.
            Entraram pela passagem e se depararam com outro corredor, desta vez muito menor, úmido e mal-cheiroso.
            -Aqui é uma entrada para o depósito de lixo do complexo. – explicou Rogério, sua voz ecoando pelas paredes – Ao final deste corredor estaremos mais próximos de sair daqui.
            -Vamos sair daqui? – perguntou Jennifer – Mas por quê?
            -S2, eu lhes disse que alguém estava querendo matá-los, não é? – respondeu Rogério – Pois são os diretores deste complexo que deram a ordem!
            Violet não acreditava no que ouvia. Os quatro não acreditavam. Por que as pessoas com quem trabalharam a vida toda iriam querer matá-los?
            -Rogério, – começou Axel – explique-se melhor, por favor.
            -OK, vou explicar-me. Vocês não são normais, vocês são especiais, mas não nasceram especiais. Vocês são fruto de um projeto do governo, que pretendia criar soldados perfeitos, que pudessem realizar qualquer missão, por mais difícil que fosse. Seus braços, tornozelos e joelhos, vocês sabem que eles são mecânicos, porém lhes foi contado que isso aconteceu devido a um acidente, o que não é verdade. O governo fez experiências com vocês, deu-lhes habilidades especiais que nenhum outro tem.
            Violet agora estava ainda mais confusa. “Então o governo não nos ajudou a nos recuperar de um acidente? Foram eles que fizeram isto conosco de propósito?” pensava ela.
            -Vocês – continuou Rogério – foram treinados para serem soldados perfeitos. Receberam tanto treinamento psicológico quanto físico, o que os transformou em soldados muito bem-treinados à disposição do governo. Vocês foram enganados por toda a vida, foram usados como armas pelo governo todo o tempo!
            -Cale a boca! – gritou Jennifer, e todos pararam para observá-la. Lágrimas escorriam por seu rosto – Você está mentindo! Eu não acredito nisso! Tudo o que acreditei na vida... não é mais que uma mentira? – ela ajoelhou-se ao chão, choramingando, e Violet foi consolá-la, quase chorando também. Observou Edge e Axel: Edge parecia muito abalado, com uma expressão incrédula em sua face; Axel parecia sério como sempre, porém Violet notou que ele também ficara sentido.
            -Rogério – perguntou Axel – se tudo deu certo até agora, por que eles querem nos matar agora? Não seria mais fácil nos matar antes?
            -Sim, seria – respondeu Rogério – mas antes não se tinham noções de suas capacidades. Vocês foram como um teste, que no final foi mal-sucedido.
            -O que quer dizer com “mal-sucedido”? – perguntou Edge, encarando Rogério.
            -Mal-sucedido significa que vocês não atenderam às expectativas. O objetivo de tudo isso era criar soldados perfeitos, já disse, e vocês tem algo que os torna imperfeitos: emoções.
            Os quatro ficaram em choque. Então era essa a razão disso tudo? Emoções?
            -Mesmo sendo treinados para reprimi-las, - continuou Rogério – vocês não conseguem livrarem-se delas. São elas que as tornam humanos. E foi essa a razão para eles determinarem que vocês precisem ser eliminados.
            Violet não mais distinguia o que acontecia à sua volta. Estava tão focada em interpretar as chocantes notícias que acabara de receber que não conseguia mover-se. Seria toda sua vida uma mentira, como Jennifer mesmo disse? Tudo o que ela fez, tudo em que acreditou, todos que ferira e matara, tudo isso fazia sentido nenhum? O que fizera por conta própria até agora, nada? Seus olhos ficaram úmidos de lágrimas, porém não conseguiu chorar. Foi treinada para não chorar, foi treinada para reprimir emoções fortes. Mas foram as pessoas que a treinaram que mentiram para ela toda a sua vida! Violet não sabia em que acreditar. Fechou os olhos e respirou fundo, segurando as lágrimas que tanto lutavam para sair. “Tenho que me acalmar, reorganizar os pensamentos” pensou ela. Por poucos instantes ficou imóvel, refletindo sobre tudo o que acontecera nos últimos minutos, até que veio-lhe um pensamento que a fez levantar e apontar seu braço direito para Rogério. A lâmina que guardava dentro de seu braço semimecânico saiu pela parte superior de seu pulso e quase encostou no pescoço do doutor, surpreendendo a todos com a inesperada reação.
            -Você – ela disse, com fúria no olhar e na voz – Você mentiu para nós este tempo todo!
            Ele a olhou, um pouco indeciso sobre o que dizer, e finalmente falou, quase que gaguejando:
            -S4... – retesou-se por um instante e continuou – quero dizer, Violet, é sim, eu menti para vocês, eu sabia de tudo desde o começo. Eu achei que talvez vocês não precisassem saber a verdade, eu realmente achei, assim tudo seria mais fácil, pra vocês e para mim. Mas eu não sabia que iriam querer matá-los, eu juro! Eu fui totalmente contra! Vocês não são armas que são usadas e depois descartadas, vocês são seres humanos! Mas eles não concordaram com minha opinião, e eu perdi meu emprego por isso. É por isso que eu estou os ajudando! Se eles me encontrarem... – Rogério parou por um momento, sentindo um pequeno calafrio na espinha – enfim, vocês têm que confiar em mim agora!
            Violet não sabia em que pensar, estava com muita raiva para raciocinar direito. Foi quando Axel segurou-lhe o braço e falou:
            -Violet, não temos muita opção agora. Acho que é melhor...
            -Mas ele... ele mentiu pra nós! – ela o interrompeu.
            -Mas agora nos contou a verdade! – retrucou Axel – Além do que, qual opção nós temos agora?
            Violet sabia que não tinham mais nenhuma opção além de confiar em Rogério. Mas ainda assim era muito difícil confiar em alguém depois que se descobre que este alguém mentiu para você por toda sua vida. Ficaram parados por um momento, e depois a lâmina de Violet retrocedeu e voltou para dentro de seu braço. O doutor respirou aliviado, tirando o excesso de suor do rosto com o jaleco.
            -Muito bem, temos que ser rápidos. – falou o doutor – Eles já podem estar nos perseguindo.
            Violet ajudou Jennifer a levantar-se, ainda meio chorosa, e puseram-se a andar novamente. Todos os cinco sabiam que suas vidas estavam pra mudar drasticamente.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Prólogo do capítulo 4

            Uma guerreira solitária olha para seu passado. Acontecimentos que lhe marcaram e amigos que conhecera passam diante de seus olhos e saem por sua boca na forma de palavras. Tudo é fundido e o que resta é uma história triste, difícil de ser contada. O que terá em seu passado que tanto lhe incomoda? Quais seriam os acontecimentos que tanto lhe marcaram a vida? A história secreta da Vigilante é revelada.