Você leitor, que por acaso continua a acompanhar este blog por algum motivo, e você novo leitor que acaba de se deparar com este post, saibam que o show vai continuar!
Neste intervalo de tempo, amadureci, apreendi conhecimentos, novas culturas e subculturas, novos gêneros literários e muitas outras coisas que antes eu não tinha. Afirmo que minha mente se expandiu de tal forma que não mais é possível que volte ao tamanho normal, como diz a famosa frase de Eisntein.
Pois afirmo que pretendo seguir com o Projeto Shinobi, mas reformularei a estrutura do livro. A história continuará sendo basicamente a mesma, o que mudarão são os ambientes, a época e o cenário em que se passa.
Atualmente estou em época de provas, mas quando de férias, pretendo reorganizar meu trabalho e continuá-lo, se possível, até seu fim.
Carry on, lads!
A história conta a saga da super-heroína Vigilante, que combate o crime num Brasil futurístico, com uma ditadura há anos no poder. No entanto, a combatente do crime guarda uma triste história em seu passado que lhe trará desafios estonteantes na vida que escolheu.
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
sexta-feira, 27 de maio de 2011
O show deve continuar
Saudações você que leu até aqui este meu blog que fiz para divulgar meu livro! E você que chegou aqui por acaso, leia as postagens anteriores que você entenderá minhas próximas palavras!
Estou aqui para dizer que o futuro é incerto. Continuo a escrever meu livro fervorosamente, mas como perceberam já não posto capítulos aqui faz um bom tempo. Tenho andado muito ocupado ultimamente, e tenho tido pouco tempo de navegação na internet. Esses fatores, acompanhados de alguns outros, são os que me fizeram parar de publicar capítulos, pelo menos por hora.
Além disso, estou também relendo e revisando tudo o que já escrevi, visando deixar o livro final mais bem escrito. Algumas partes foram alteradas, alguns parágrafos acrescentados, outros removidos.
Não sei o que o futuro me reserva, na realidade não sei o que vai acontecer com clareza, mas eu sei de uma coisa: continuarei escrevendo o livro, até que eu esteja satisfeito com ele. E depois, quem sabe, procurar alguma editora que esteja interessada em publicá-lo? Ou procurar um cartunista para fazer uma graphic novel? Ou quem sabe um mangá? As opções são muitas.
E é isso. Não acho que tenho algo mais a declarar, pelo menos por hora...
Estou aqui para dizer que o futuro é incerto. Continuo a escrever meu livro fervorosamente, mas como perceberam já não posto capítulos aqui faz um bom tempo. Tenho andado muito ocupado ultimamente, e tenho tido pouco tempo de navegação na internet. Esses fatores, acompanhados de alguns outros, são os que me fizeram parar de publicar capítulos, pelo menos por hora.
Além disso, estou também relendo e revisando tudo o que já escrevi, visando deixar o livro final mais bem escrito. Algumas partes foram alteradas, alguns parágrafos acrescentados, outros removidos.
Não sei o que o futuro me reserva, na realidade não sei o que vai acontecer com clareza, mas eu sei de uma coisa: continuarei escrevendo o livro, até que eu esteja satisfeito com ele. E depois, quem sabe, procurar alguma editora que esteja interessada em publicá-lo? Ou procurar um cartunista para fazer uma graphic novel? Ou quem sabe um mangá? As opções são muitas.
E é isso. Não acho que tenho algo mais a declarar, pelo menos por hora...
segunda-feira, 28 de março de 2011
Capítulo 5 - Caminhos separados
Os cinco estavam agora andando pelo estreito corredor que levava ao depósito de lixo do complexo. A cada passo que davam mais forte ficava o cheiro de lixo. Podiam ver alguma luz no final do corredor, o que os motivou a continuar andando. Quando o corredor acabou, viram-se cercados por diferentes tipos de dejetos, e estavam pisando numa espessa camada de lixo. O depósito era um imenso cubo de concreto, com muitos dutos e entradas de serviço vindas de todo o complexo. Depois de um certo tempo o lixo era retirado em grandes caminhões e transportado para um aterro sanitário especial, escondido, para que eventualmente ninguém pudesse encontrar algo que tenha sido descartado. O cheiro lá dentro era horrível e o ar, tóxico, por isso não era bom gastarem seu tempo ali.
-Doutor, - começou Edge, em vista da situação em que se encontravam – você por acaso tem algum plano de fuga?
Rogério fitou-lhe com um olhar um pouco incerto, e respondeu:
-Na verdade, meu plano tinha acabado a um minuto...
Edge e os outros se entreolharam, cada um tentando arquitetar um plano para saírem dali. Não demoraria muito para que os encontrassem lá, mas se o fizessem talvez já estivessem mortos por conta do ar tóxico. Foi Jennifer quem tomou a iniciativa e falou:
-Acho que teremos mais chance se nos dividirmos em grupos. Violet e Axel – apontou para os dois – vão por um lado, e o doutor, Edge e eu vamos para o outro lado.
Os quatro fizeram um sinal afirmativo com a cabeça, e logo estavam prontos para partir. Porém antes de partirem Rogério chamou Violet e Axel e falou:
-Qualquer coisa, se no final disso tudo nos separarmos, procurem o Dr. Ramon Vilarín, em São Paulo. Ele é um amigo meu, e é confiável.
Violet observou a expressão na face de Rogério. Parecia estar muito preocupado com tudo aquilo.
-Talvez não precisemos disso. – disse ela – Faremos o máximo possível para encontrá-los lá fora.
Nenhum deles sabia por onde sairiam, e os rádios comunicadores só tinham um alcance de 750m, portanto realmente não sabiam se poderiam se encontrar mais tarde. Além do mais, os comunicadores poderiam ser facilmente rastreados lá dentro, então não era uma opção muito segura, e lá dentro também havia câmeras de segurança. Sabiam que a fuga seria muito difícil, mas não tinham escolha, tinham que tentar.
Jennifer veio na direção de Violet e a abraçou, dizendo em seu ouvido:
-A gente se encontra lá fora!
Soltou-a e juntou-se a Edge e Rogério, que logo acenaram uma despedida. Violet e Axel a retribuíram, e logo ambos os grupos partiram, um para cada lado. Entraram em diferentes passagens e perderam-se de vista.
Agora Axel e Violet tentavam andar o mais depressa possível, e com o mínimo de barulho. Conseguiam enxergar parcialmente no escuro, portanto não precisavam de uma lanterna. Não sabiam como, mas pensavam agora que talvez fosse resultado de algum dos experimentos em que o governo os envolveu. Logo chegaram ao final da passagem, uma passagem de ar com aberturas pelo qual podia-se ver e ouvir o que se passava do outro lado. Espiaram e viram um corredor com somente uma saída, que era uma junção com outros corredores logo à frente. Vigiando os corredores adjacentes estavam dois soldados vestidos com um uniforme militar e armados com rifles de assalto. Violet e Axel pararam e ouviram a conversa dos dois:
Eles são realmente difíceis de encontrar – disse o da direita, mais baixo e fisicamente mais fraco que o da esquerda.
-São mesmo – respondeu o outro – Não duvido que já tenham escapado.
-Será que é verdade o que dizem? Será que eles tem superpoderes?
-Claro que não! – falou o da esquerda – Ninguém tem superpoderes, isso não existe. E mesmo que tivessem, quais seriam?
-Dizem que eles são invisíveis. Dizem que eles podem te matar só com o olhar. – falou o outro, um pouco preocupado.
-Isso é besteira. – retrucou – Nenhuma pessoa consegue...
Parou de falar, porque seu pescoço foi quebrado pelas mãos de Axel, por trás, que o girou em 180º. Também por trás, poucos décimos de segundo depois, Violet usou as lâminas em seus braços para cortar o pescoço do menor, espirrando sangue por quase todas as direções. Poucos segundos se passaram e os dois soldados jaziam no chão, sem vida.
Violet e Axel não se sentiram sequer incomodados pelo ato que acabaram de cometer. Foram exaustivamente treinados para se manterem calmos em qualquer situação, e também receberam treinamento especial de assassinato silencioso, então aquilo tudo não era novidade para eles.
Analisaram os pertences dos soldados e encontraram granadas, que foram coletadas, e um mapa daquele setor. Observaram o mapa atentamente, procurando a saída mais próxima de onde eles se encontravam. Encontraram uma entrada de serviço, que dava na superfície, mas teriam que passar por alguns corredores e depois por uma sala marcada no mapa como “Sala de pessoal” para chegar lá. Se entreolharam, imaginando o que os esperava pelo caminho, e Axel falou:
-Nós vamos conseguir. Estamos perto.
Violet concordou com a cabeça e ambos foram em direção à saída. Enquanto corriam pelos corredores, Violet pensava em tudo o que tinha ocorrido naquele dia. Ela não tinha sofrido um acidente quando criança, ela tinha sido usada como um experimeto científico; ela não ganhou os braços e pernas que tinha para sobreviver, e sim para ser uma arma; ela não recebeu todo aquele treinamento, tanto físico quanto psicológico, para ajudar o governo que a ajudou, ela recebeu todo aquele treinamento para ajudar o governo que não a ajudou, mas que mentiu e lhe roubou toda a sua infância. “Podia ter tido uma vida normal” pensava ela, “mas não tive. Fui obrigada a fazer coisas que não queria, fui obrigada a viver uma vida que eu não queria viver.” Violet estava muito furiosa por dentro, mas sabia que não podia soltar sua raiva porque poderia comprometer sua fuga. Devia reprimir suas emoções, recebeu treinamento para isso, mas naquele momento era muito difícil.
Os dois viraram num corredor e se depararam com um soldado andando em sua direção, virando no corredor onde acabaram de sair. O soldado foi surpreendido pela figura que tinha encontrado, e somente conseguiu apontar sua arma quando era tarde demais. Violet tinha perfurado seu estômago com suas lâminas, e Axel pulou e deu-lhe um poderoso chute na cabeça, que o desacordou rapidamente. O soldado foi deixado no chão, quase morto, e os dois retomaram o caminho. Logo chegaram à Sala de Pessoal. Estavam num piso superior, com uma escada logo ao lado, de onde podiam observar a situação lá embaixo. A sala era quadrada, alta, toda revestida de metal, com cinco extensas fileiras de armários, que iam até o final da sala. De onde estavam podiam contar oito soldados patrulhando a área, todos armados com uniformes militares, metralhadoras de curto alcance e alguns outros pequenos adereços, dois soldados para cada corredor de armários.
Violet e Axel sabiam que aquele era o momento definitivo de suas fugas. Se passassem daquilo, estariam livres. Armaram um plano, cochichando.
-Eu pego os quatro da esquerda – disse Violet.
-E eu os quatro da direita – completou Axel.
Armado o plano, os dois se posicionaram logo acima dos inimigos, e iniciaram silenciosamente uma contagem regressiva. Estavam calmos com aquela situação, eles foram treinados para situações como aquelas, e quando a contagem chegou a zero, ambos pularam em um dos quatro corredores, e Violet perdeu Axel de vista.
Os dois soldados que estavam no corredor não tinham percebido sua presença, então ela pegou uma pequena granada em seu cinto e puxou-lhe o pino com a boca, depois jogando-a no corredor ao lado, para abater os dois soldados que lá estavam. Andou até o soldado logo a sua frente, que estava de lado e não a percebeu chegando, e segurou-lhe por trás da cabeça e cortou-lhe o pescoço com a lâmina em seu braço direito. O outro soldado rapidamente percebeu a movimentação de seu parceiro e virou-se, finalmente visualizando sua inimiga. Começou a atirar-lhe com a metralhadora que tinha em mãos, e Violet segurou bem firme o soldado que acabara de matar, usando seu corpo como um escudo. A granada que tinha jogado no outro corredor finalmente explodiu, e ela e o soldado restante ouviram gritos de dor vindos do outro lado. O soldado continuou atirando, sem acertar sequer um único tiro em sua oponente, que agora pensava em alguma maneira de agir. Sacou a pistola que tinha em seu cinto e começou a atirar de volta, apoiando a arma no ombro no cadáver que segurava. Tinha recebido extenso treinamento de uso de armas de fogo, então mirou com precisão na cabeça do inimigo, tirando-lhe a vida com um tiro certeiro.
O soldado foi ao chão, morto, e Violet soltou o cadáver que segurava, que agora estava com muitas perfurações decorrentes dos disparos a qual foi submetido. Ouviu sons de disparos vindos de outro corredor, e deduziu que Axel estava cuidando dos outros quatro soldados naquela sala. Já havia visto ele lutar inúmeras vezes, contra os mais diversos inimigos e nas mais diversas condições, e nunca o vira perder sequer uma vez. Ela confiava sua vida a ele, por isso estava certa de que cuidaria de tudo. Estava com algumas manchas vermelhas de sangue em sua roupa, mas não se importou com isso, concentrando-se em seu objetivo. Olhou para cima, procurando por câmeras, e avistou duas que podiam ver o que se passava por toda aquela sala. “Eles já sabem onde estamos” pensou ela. “Logo devem chegar reforços, temos que nos apressar.” Deu uma olhada no corredor onde tinha explodido a granada, para checar se alguém tinha sobrevivido. Viu que não, e correu até o final da sala, até a porta de saída. Abriu-a, e deparou-se com um corredor longo e largo, retangular, com uma porta de aço ao fundo, posta ao lado de um aparelho que Violet identificou como sendo um detector de digitais. “Preciso de uma mão aqui” pensou ela.
Correu em direção ao início da sala, e encontrou Axel vindo em sua direção. Também estava manchado de sangue da cabeça aos pés, e ao ver Violet correndo na direção oposta à que deveriam ir perguntou-lhe:
-Violet, aonde está indo?
-Vai indo na porta, que eu vou pegar uma coisa lá atrás e já volto! – respondeu ela, ainda correndo e com um leve sorriso no rosto.
Chegou ao local onde tinha explodido a granada, e procurou por uma mão. Por sorte achou uma que tinha sido arrancada com a explosão da granada, então bastou pegá-la e correr de volta à porta do corredor, onde Axel a esperava. Juntos correram em direção à porta de saída, Violet indo na frente, ansiosa. Não queria passar mais um minuto naquele lugar, onde lhe foi privada da verdade por toda a vida. Quando alcançaram a metade do corredor, chamaram o outro grupo pelo rádio. Foram respondidos por Edge:
-Estamos bem, já localizamos uma saída, e estamos indo para ela. Qual a sua situação? Câmbio.
-Estamos saindo agora. – respondeu Axel, com voz firme – Logo estaremos fora e procuraremos um lugar seguro. Câmbio.
-OK, nos encontramos lá fora. Câmbio e desligo.
Axel guardou o rádio, e seguiram em frente. Agora faltavam poucos metros para saírem de lá, então Violet começou a correr ainda mais rápido, ansiando por liberdade. Imaginava como seria viver lá fora, entre todas as pessoas e todo o mundo. Voltou a si quando percebeu que tinha acionado um mecanismo com os pés. Ouviram fortes sons de engrenagens por trás das paredes, e passou pela mente de Violet que ela tinha estragado tudo.
Uma rede foi disparada de um pequeno buraco em cima da porta de saída. Diante da ameaça, Violet não fechou os olhos: foi-lhe ensinada a nunca fechar os olhos diante do perigo, mesmo que fosse de morte. Ao invés disso ela rapidamente começou uma manobra evasiva, mas estava muito perto da rede, sem chances de se esquivar. Já se preparava para o choque iminente, quando sentiu um forte empurrão vindo de trás: era Axel, que a empurrava com toda sua força para o lado. Tinha uma força sobre-humana, então Violet foi violentamente arremessada contra a parede do corredor, escapando por pouco de ser pega pela rede. Axel não conseguiu se desviar, e a rede o envolveu por completo, fixando-se fortemente no chão em seguida. A ação toda se passou em menos de três segundos.
Violet se recuperou do forte choque contra a parede e logo viu que Axel fora capturado. Parecia estar sentindo muita dor, porque não estava conseguindo mexer-se muito bem por baixo da rede, mas parecia estar resistindo à dor pois não gritava nem reclamava. Ela correu em sua direção para socorrê-lo, mas quando encostou na rede para arrancá-la sentiu uma forte corrente elétrica passar por todo seu corpo, e soltou um pequeno grito de dor. Recuou alguns passos, recuperando-se do inesperado choque elétrico, e tratou de pensar em uma outra maneira de livre-lo de lá. Reforços estavam à caminho, então não tinha muito tempo para ficar refletindo.
-Axel, vou te tirar daí! Só espere um momento! – gritou ela à Axel, para tentar acalmá-lo. Tentou cortar a rede com a lâmina em seu braço, sem sucesso: não podia evitar a eletricidade, e a rede parecia ser reforçada, quase que imune à cortes. Com a força da corrente elétrica, Violet calculou que teria pouco tempo antes que ele desmaiasse por conta da eletricidade. Axel, resistindo fortemente à corrente elétrica, disse em voz baixa e fraca:
-Violet...
-Eu já sei o que você vai falar, vai falar para eu te deixar aqui! – disse ela, considerando todas as opções possíveis que podia pensar – Mas eu não vou te deixar, vamos sair dessa juntos!
Sacou sua pistola e tratou de atirar contra o tecido da rede, que não mostrou fraqueza e resistiu aos disparos sem dificuldades. Parecia ser um pouco elástico, não era um tecido comum. Estava quase sem opções, então tentou cortar a rede com sua lâmina novamente, desta vez segurando a rede com a outra mão, para ser mais efetivo. Segurou-a e começou a sentir a forte corrente elétrica fluindo por seu corpo, mas se esforçou ao máximo para manter o controle da dor e tentar cortar a rede. Começou a cortar com sua lâmina, vagarosamente, com o braço trêmulo da dor que sentia, mas por mais que tentasse, por mais que se esforçasse, a rede não cedia. Sem agüentar mais um segundo de dor, Violet soltou a rede e recuou, esgotada. Axel então juntou todas as forças que ainda lhe restavam e gritou:
-Violet, Saia daqui! Não há tempo! Se ficar tudo isso seria perda de tempo!
Ela não queria acreditar, queria pensar em alguma maneira de saírem juntos dali, mas no fundo sabia que não poderiam. Uma onda de decepção e tristeza a abalou por dentro, fazendo-a perder momentaneamente a noção de tudo o que acontecia. Tinha que tomar uma decisão, por mais difícil que fosse: ou somente Axel seria capturado, ou ambos seriam. Axel não queria que tudo fosse em vão, que eles tivessem chegado até ali para nada; ele queria que Violet escapasse, queria que ela o abandonasse para se salvar. Ela certamente queria sair dali, mas não deixando Axel para trás. Muitos pensamentos passavam por sua mente, influenciando-a para que tomasse uma decisão logo. Sentiu um terrível aperto no coração ao finalmente se decidir.
Correu em direção a Axel e inclinou-se sobre o mesmo, pegando o rádio que estava em seu cinto e falando, com raiva:
-A gente ainda vai se encontrar depois! É uma promessa! – dito isso, virou-se e correu em direção à saída. Pequenas lágrimas começaram a sair de seus olhos, enevoando-lhe um pouco a visão. Respirou fundo e continuou se caminho, pegando a mão do soldado que tinha caído no chão. Logo chegou à porta e encostou a palma da mão que tinha recolhido no detector de digitais. A porta fez um estalido metálico, e uma pequenina luz verde acendeu no painel ao lado. Violet olhou uma última vez para trás, vendo o corpo de Axel estirado no chão, coberto pela rede, e deu uma última declaração a seu parceiro:
-A gente vai se ver de novo! – abriu a porta e atravessou o portal, sem olhar para trás, e em seguida a fechou.
Estava do lado de fora agora. Estava escuro, e podia ouvir um barulho de chuva embora não a sentisse cair em seu corpo. Mal observou os arredores e ligou o rádio, tentando contactar o outro grupo.
-Jennifer! Edge! Rogério! – ela falava alto e claramente, mas só recebia sons estáticos de volta. Presumiu que o rádio não estava mais funcionando devido ao choque que recebera quando a rede caiu sobre Axel. Virou-se para a parede ao seu lado e socou-a, tentando esvair-se da raiva que sentia por dentro. Lágrimas de tristeza caíram de seus olhos, que agora estavam fechados para que Violet pudesse se concentrar. Deixara um amigo para trás, não podia contactar os outros três, e estava completamente sozinha num lugar completamente estranho. Passou-lhe pela mente que não poderia ficar por ali por mais tempo, visto que a razão pela qual abandonara Axel era por que reforços estavam chegando. Abriu os olhos e observou onde se encontrava: via a porta por onde veio, e em sua frente uma pequena rampa coberta, levando até um lugar aberto e pouco iluminado, onde caía a chuva. Correu para a luz, e logo sentiu a água fria da chuva sobre seu rosto descoberto. Estava agora num tipo de beco, com algumas latas de lixo em sua volta, e com uma pequena saída para a rua. Olhou para cima, para observar de onde veio, e vislumbrou um enorme prédio comercial, com no mínimo vinte andares.
Tendo analisado a área, Violet planejou sua fuga com cautela. Decidiu-se por subir ao prédio ao lado, mais baixo, e depois observar a região a sua volta. Apontou seu braço direito para o topo do prédio, e dele saiu um gancho em alta velocidade, com uma corda, que perfurou a fachada do prédio. Ela então foi puxada pelo gancho, subindo com facilidade até o topo. De lá, mesmo que estivesse escuro, podia distinguir certos edifícios na paisagem: viu de longe dois prédios altos, iluminados pelo chão, ao lado de outro prédio menor com duas estranhas cúpulas brancas sobre ele; conseguia ver muitos outros prédios, de tamanhos e materiais variados; or prédios não ocupavam toda a paisagem: podia ver muitas rodovias, todas com bastante movimento, levando a várias direções. Nunca tinha visto aquela cidade ao vivo, mas sabia muito bem onde estava: estava em Brasília, a capital do país.
Não tinha tempo para observar a paisagem, tinha que sair de lá o mais rápido possível. Mas para onde iria? O que faria? Agora somente tinha uma escolha, somente uma pessoa em quem confiar: iria para São Paulo, encontrar-se com o Dr. Ramon Vilarín.
domingo, 27 de março de 2011
Prólogo do capítulo 5
Uma verdade escondida é enfim liberada. Ódio e dor adentram o coração de Violet como se fosse a mais afiada lâmina do mundo. Tudo em que acreditara até agora não passava de uma simples ilusão. O que faria agora? No que acreditaria? Em quem confiaria? Muitas incertezas passavam por sua mente, e somente uma certeza ela conseguia encontrar: tinham que sair dali. Os Shinobi lutam por liberdade, e por suas vidas.
quarta-feira, 23 de março de 2011
Tentativa de Desenho de Personagem nº1: Vigilante
Saudações ávidos leitores! Demoro para postar o próximo capítulo porque estou trabalhando em alguns projetos paralelos, como este aqui: as Tentativas de Desenho de Personagem!
Pois é, enquanto escrevo a história, ainda tento desenhar os personagens ao meu ver. Já disse antes que não sei desenhar, então por favor, não me matem por causa disso!
Aqui está o processo que usei para desenhar:

Primeiro, desenho um rascunho em papel. Depois digitalizo e passo os traços para vetores, para não perderem a qualidade. À seguir, faço as luzes e sombras da imagem, e por fim adiciono as cores. É um processo muito divertido, é realmente um ótimo exercício para que quer seguir carreira de artista digital. O resultado final é esse:
É mais ou menos assim que visualizo a Vigilante. É claro que me expresso melhor através de palavras, mas não custa nada tentar fazer um simples desenho, não?
Enfim, é isso que tenho para postar agora. Gostaram? Comentem! Depois tentarei desenhar outros personagens, então fiquem ligados! Já estou trabalhando para postar o Capítulo 5 o quanto antes, e acreditem: vai ser muito chocante!
Esperem para ver! Até logo! o/
Pois é, enquanto escrevo a história, ainda tento desenhar os personagens ao meu ver. Já disse antes que não sei desenhar, então por favor, não me matem por causa disso!
Aqui está o processo que usei para desenhar:

Primeiro, desenho um rascunho em papel. Depois digitalizo e passo os traços para vetores, para não perderem a qualidade. À seguir, faço as luzes e sombras da imagem, e por fim adiciono as cores. É um processo muito divertido, é realmente um ótimo exercício para que quer seguir carreira de artista digital. O resultado final é esse:
É mais ou menos assim que visualizo a Vigilante. É claro que me expresso melhor através de palavras, mas não custa nada tentar fazer um simples desenho, não?
Enfim, é isso que tenho para postar agora. Gostaram? Comentem! Depois tentarei desenhar outros personagens, então fiquem ligados! Já estou trabalhando para postar o Capítulo 5 o quanto antes, e acreditem: vai ser muito chocante!
Esperem para ver! Até logo! o/
terça-feira, 15 de março de 2011
Capítulo 4 – Revelações Chocantes
Finalmente estavam em casa. Depois de uma longa semana numa longa missão de espionagem, voltaram ao lugar que podiam chamar de lar. Não era exatamente uma casa, era um quarto que continha tudo o que eles precisavam. Queriam ver um filme? Era disponibilizado. Queriam jogar algum jogo? Ele era adquirido. Queriam ler um livro? Ele logo aparecia na estante. Queriam dar uma volta? O jardim das instalações era aberto. Tudo era providenciado para o conforto deles, desde que servissem em missões especiais para o governo e que não fizessem uma pergunta sobre o assunto.
Violet foi a primeira a adentrar o quarto. Ele era grande, quadrado, não tinham janelas, e cabiam as coisas de todos nele. Olhou para os lados, avistando os móveis que lá havia: uma estante com eletrônicos, um sofá bege e confortável, uma cozinha clara, completa com utensílios. Avistou sua cama, simples, com cobertor azul, que mais parecia uma cama de casal agora, depois de ter dormido tantos dias num colchão velho e duro, e às vezes no chão. Correu em sua direção, deu um pulo e caiu deitada sobre as cobertas, bagunçando-as. Fechou os olhos e espreguiçou-se lentamente, até que por fim pôs as mãos atrás da cabeça e relaxou. Nem esperou para trocar de roupa; o traje azul escuro que vestia a incomodava um pouco quando deitada, definitivamente não era uma roupa de dormir, e com certeza a cama não era um lugar adequado para colocar as botas que estava usando, mas ela nem ligou para isso. Estava tão cansada que foi direto para a cama. Os acontecimentos da missão que acabaram de completar passavam diante de seus olhos, embora Violet tentasse esquecê-los. Agora só queria descansar. Foi interrompida por uma voz feminina que lhe chamava:
-Violet, você está bem?
Abriu seus olhos lentamente, ofuscando-se por uns momentos com a lâmpada fluorescente que iluminava o quarto, e virou-se para o lado para ver quem a chamara. Avistou sua melhor, e única, amiga, Jennifer, ou S2, como era chamada durante as missões. Jennifer era poucos anos mais velha que Violet, e era também mais alta; sua pele era morena, e tinha longos e lisos cabelos loiros que lhe passavam os ombros; estava vestida com um traje vermelho, bem justo, igual ao de Violet, a não ser pelo tamanho e pela cor; como Violet, seu braço estava descoberto, e usava botas iguais. Jennifer estava a observando de perto, com seus grandes e hipnotizantes olhos azuis-turquesas. Jennifer era como a irmã mais velha de Violet; ela a aconselhava e a ajudava quando precisasse. Juntas, passaram por muitas situações difíceis. Diante do silêncio que Violet estava criando, ela repetiu:
-Violet, você está bem? Nem chegamos e já foi se deitar?
-Ah, é que estou muito cansada. Essa última missão foi muito cansativa.
-Foi, mas nós já passamos por coisas piores. Tem certeza que não quer comer alguma coisa?
Violet acabara de se lembrar: não tinha comido nada há horas. De repente sentiu uma imensa vontade de devorar algo para saciar sua fome. Sua barriga, como por vida própria, deu um ronco audível, ao que Jennifer comentou:
-Aí está minha resposta. Vamos comer! – levantou-se do chão, ao lado da cama de Violet, e estendeu-lhe a mão. Violet levantou-se também, e juntas se dirigiram à área da cozinha, de onde podiam avistar dois corpos, um em pé e o outro sentado numa cadeira à mesa.
-Gente, quem quer panqueca? – disse Edge, ou S3, que estava pegando os instrumentos para começar a cozinhar. Edge era negro, bem alto e forte, o que lhe dava o aspecto de ser violento, quando na verdade era muito simpático; seu hobbie era cozinhar, e sempre que podia experimentava receitas novas e tentava aperfeiçoá-las; estava vestindo um traje igual ao de Violet e de Jennifer, mas ele era uma versão masculina, mais larga, e sua cor era cinza; suas feições eram bonitas, ele tinha lindos olhos verdes, não tinha cabelo, e tinha lábios bem carnudos. Pegou todos os utensílios necessários e abriu a geladeira para pegar os ingredientes.
-É lógico que eu quero! – respondeu Jennifer, de imediato.
-Eu também vou querer algumas, estou faminta! – respondeu Violet, que em seguida sentou-se à mesa, junto a Axel.
Axel, ou S1, era do tipo calado. Não gostava muito de falar, gostava de agir, mas gostava principalmente de aparelhos eletrônicos; era mais baixo que Edge, porém não deixava de ser alto; tinha cabelos curtos e ruivos, e transmitia seriedade e serenidade com seus olhos, que eram como os de Violet, só que ao contrário: seu olho esquerdo era azul e o direito era verde; usava um traje idêntico ao de Edge, mas com um tom bem escuro de vinho. Axel era como um irmão mais velho para todos, ele arriscava sua vida para protegê-los. De fato, os quatro cuidavam uns dos outros como uma família. Todos davam o máximo para proteger as vidas dos amigos, arriscando-se ao extremo.
Edge acabou de pegar todos os ingredientes, virou-se para Axel e falou:
-E você, cara? Quer panqueca?
Axel levantou-se de sua cadeira e respondeu à pergunta. Sua voz era suave, serena:
-Por favor. Enquanto isso vou arrumar minhas coisas e já volto.
-É pra já! – disse Edge, que já começava a ligar o forno. Axel foi à área dos quartos enquanto os outros três ficaram conversando na cozinha. Quando voltou, as panquecas já estavam prontas, e os quatro jantaram juntos. Ao final do jantar todos sentaram-se no sofá em frente da TV para conversar.
-Então, - comentou Jennifer – o que vocês acham que continham nos arquivos que pegamos nos computadores da Star Corp.?
-Não sei, mas deviam ser coisas muito importantes para terem sido protegidas com aquele sistema de segurança. – respondeu Edge.
-O firewall do sistemas deles era... incrível. – disse Axel, lembrando perfeitamente o quão bem construído tinha sido o firewall da Star Corp. – As linhas de códigos eram muito bem feitas, realmente foi muito difícil encontrar uma brecha.
Violet, que até agora nada falara, comentou:
-E vocês viram quantos guardas estavam dentro do cofre de segurança guardando os terminais?
-É mesmo, e acabamos com todos eles, não é Violet? – perguntou Jennifer, levantando a mão direita para cumprimentar Violet, que retribuiu o aceno e respondeu:
-É isso aí!
Após isso, um silêncio mortal reinou sobre o cômodo por alguns segundos. Os quatro sabiam que estavam pensando a mesma coisa, porém ninguém quis comentar sobre o assunto. A primeira que cortou o silêncio foi Violet:
-Gente, quando é que isso vai acabar?
-Fazemos isso desde que lembramos, certo? – perguntou-se Jennifer. – Desde a infância fomos treinados para isso, mas não quero mais isso!
-Realmente, embora sejamos bem tratados aqui, não quero continuar com essa vida. Não gosto de matar pessoas. – citou Axel, o qual foi seguido por Edge:
-Não quero mais essa vida! Quero viajar pelo mundo e aprender estilos culinários diferentes!
-Que droga. Nós pelo menos recebemos alguma opção para nossas vidas? Não acho que... – Axel foi interrompido pelo barulho da porta de entrada, que acabara de ser aberta violentamente. Todos olharam para a porta e, treinados do jeito que foram, imediatamente prepararam-se para o pior, colocando-se em posição defensiva. Viram que era o Doutor Rogério, um dos cientistas da seção de pesquisas de armamentos, que entrara tão espontaneamente. Era loiro, bem magro, e usava óculos redondos e finos; vestia uma calça jeans e uma camisa cinza-claro por baixo do jaleco branco, que era uniforme padrão entre os cientistas. Rogério era o cientista favorito dos quatro, sempre se davam muito bem. Estava pálido e ofegante, aparentemente tinha corrido por certo tempo até abrir a porta e parar. Estava segurando vários apetrechos e armas, provavelmente vindos do laboratório de pesquisas. Olhou para os lados, procurando visualmente pelo grupo S, até que os avistou na sala. Ao identificar a figura de Roger, os quatro relaxaram um pouco, e Axel foi o primeiro a falar:
-Dr. Rogério, o que est...
-Não há muito tempo para explicações! – Rogério o interrompeu. Sigam-me que eu os explico no caminho!
Todos estavam desorientados e confusos. “O que teria acontecido para que Roger ficasse tão atônito? E para onde ele quer nos levar?” pensava Violet.
-Opa, espere aí, - exclamou Edge – do que você está falando? Para onde vamos?
-Por favor, confiem em mim! Suas vidas correm grande perigo!
Os quatro ficaram chocados diante da resposta. “Quem poderia querer nos matar?” pensou Violet. “Será que houve uma pequena falha na missão anterior e informações nossas vazaram? E também, nunca saímos do quarto sem autorização. Por que poderíamos sair agora?” Pensamentos semelhantes passavam pelas cabeças dos outros três. Todos sabiam que podiam confiar em Rogério, os equipamentos que fazia sempre os ajudavam, e muito, nas missões. Eles se entreolharam, em dúvida, até que Axel tomou a decisão final:
-Bem, confiamos nele, não é? Vamos segui-lo então.
-Ótimo. – disse Rogério ao ouvir a decisão do grupo – Mas antes vistam isso, vai ser útil.
Rogério deu-lhes rapidamente os equipamentos que levava, que foram vestidos rapidamente. Todos pegaram luvas especiais e cintos de utilidades com pequenos bolsos com equipamentos menores dentro. Junto aos cintos colocaram uma pistola de 9mm cada um, com exceção de Jennifer, que pegou uma espingarda calibre 12 de cano serrado e amarrou-a no corpo com uma fita, deixando-a nas costas, onde poderia facilmente alcançá-la. Depois que todos estavam equipados, Dr. Rogério falou:
-Agora me acompanhem. Contarei tudo no caminho. – e se dirigiu à entrada. Os outros quatro hesitaram por um instante, mas por fim saíram do quarto.
Estavam agora no extenso corredor, sem janelas, com iluminação esparsa, completamente revestido por aço, que daria nos extensos corredores subterrâneos do complexo. Sempre passavam por ali quando embarcavam em uma missão, afinal era a única saída do quarto. Andaram até a metade do corredor, onde pararam em frente a uma fechadura quase imperceptível que havia na parede. Rogério pegou de seu boldo uma pequena chave e a girou dentro da fechadura, abrindo uma pequena passagem. “Nossa, tantas vezes que passamos por aqui e nunca percebemos esta passagem, nem ao menos esta fechadura.” pensou Violet.
Entraram pela passagem e se depararam com outro corredor, desta vez muito menor, úmido e mal-cheiroso.
-Aqui é uma entrada para o depósito de lixo do complexo. – explicou Rogério, sua voz ecoando pelas paredes – Ao final deste corredor estaremos mais próximos de sair daqui.
-Vamos sair daqui? – perguntou Jennifer – Mas por quê?
-S2, eu lhes disse que alguém estava querendo matá-los, não é? – respondeu Rogério – Pois são os diretores deste complexo que deram a ordem!
Violet não acreditava no que ouvia. Os quatro não acreditavam. Por que as pessoas com quem trabalharam a vida toda iriam querer matá-los?
-Rogério, – começou Axel – explique-se melhor, por favor.
-OK, vou explicar-me. Vocês não são normais, vocês são especiais, mas não nasceram especiais. Vocês são fruto de um projeto do governo, que pretendia criar soldados perfeitos, que pudessem realizar qualquer missão, por mais difícil que fosse. Seus braços, tornozelos e joelhos, vocês sabem que eles são mecânicos, porém lhes foi contado que isso aconteceu devido a um acidente, o que não é verdade. O governo fez experiências com vocês, deu-lhes habilidades especiais que nenhum outro tem.
Violet agora estava ainda mais confusa. “Então o governo não nos ajudou a nos recuperar de um acidente? Foram eles que fizeram isto conosco de propósito?” pensava ela.
-Vocês – continuou Rogério – foram treinados para serem soldados perfeitos. Receberam tanto treinamento psicológico quanto físico, o que os transformou em soldados muito bem-treinados à disposição do governo. Vocês foram enganados por toda a vida, foram usados como armas pelo governo todo o tempo!
-Cale a boca! – gritou Jennifer, e todos pararam para observá-la. Lágrimas escorriam por seu rosto – Você está mentindo! Eu não acredito nisso! Tudo o que acreditei na vida... não é mais que uma mentira? – ela ajoelhou-se ao chão, choramingando, e Violet foi consolá-la, quase chorando também. Observou Edge e Axel: Edge parecia muito abalado, com uma expressão incrédula em sua face; Axel parecia sério como sempre, porém Violet notou que ele também ficara sentido.
-Rogério – perguntou Axel – se tudo deu certo até agora, por que eles querem nos matar agora? Não seria mais fácil nos matar antes?
-Sim, seria – respondeu Rogério – mas antes não se tinham noções de suas capacidades. Vocês foram como um teste, que no final foi mal-sucedido.
-O que quer dizer com “mal-sucedido”? – perguntou Edge, encarando Rogério.
-Mal-sucedido significa que vocês não atenderam às expectativas. O objetivo de tudo isso era criar soldados perfeitos, já disse, e vocês tem algo que os torna imperfeitos: emoções.
Os quatro ficaram em choque. Então era essa a razão disso tudo? Emoções?
-Mesmo sendo treinados para reprimi-las, - continuou Rogério – vocês não conseguem livrarem-se delas. São elas que as tornam humanos. E foi essa a razão para eles determinarem que vocês precisem ser eliminados.
Violet não mais distinguia o que acontecia à sua volta. Estava tão focada em interpretar as chocantes notícias que acabara de receber que não conseguia mover-se. Seria toda sua vida uma mentira, como Jennifer mesmo disse? Tudo o que ela fez, tudo em que acreditou, todos que ferira e matara, tudo isso fazia sentido nenhum? O que fizera por conta própria até agora, nada? Seus olhos ficaram úmidos de lágrimas, porém não conseguiu chorar. Foi treinada para não chorar, foi treinada para reprimir emoções fortes. Mas foram as pessoas que a treinaram que mentiram para ela toda a sua vida! Violet não sabia em que acreditar. Fechou os olhos e respirou fundo, segurando as lágrimas que tanto lutavam para sair. “Tenho que me acalmar, reorganizar os pensamentos” pensou ela. Por poucos instantes ficou imóvel, refletindo sobre tudo o que acontecera nos últimos minutos, até que veio-lhe um pensamento que a fez levantar e apontar seu braço direito para Rogério. A lâmina que guardava dentro de seu braço semimecânico saiu pela parte superior de seu pulso e quase encostou no pescoço do doutor, surpreendendo a todos com a inesperada reação.
-Você – ela disse, com fúria no olhar e na voz – Você mentiu para nós este tempo todo!
Ele a olhou, um pouco indeciso sobre o que dizer, e finalmente falou, quase que gaguejando:
-S4... – retesou-se por um instante e continuou – quero dizer, Violet, é sim, eu menti para vocês, eu sabia de tudo desde o começo. Eu achei que talvez vocês não precisassem saber a verdade, eu realmente achei, assim tudo seria mais fácil, pra vocês e para mim. Mas eu não sabia que iriam querer matá-los, eu juro! Eu fui totalmente contra! Vocês não são armas que são usadas e depois descartadas, vocês são seres humanos! Mas eles não concordaram com minha opinião, e eu perdi meu emprego por isso. É por isso que eu estou os ajudando! Se eles me encontrarem... – Rogério parou por um momento, sentindo um pequeno calafrio na espinha – enfim, vocês têm que confiar em mim agora!
Violet não sabia em que pensar, estava com muita raiva para raciocinar direito. Foi quando Axel segurou-lhe o braço e falou:
-Violet, não temos muita opção agora. Acho que é melhor...
-Mas ele... ele mentiu pra nós! – ela o interrompeu.
-Mas agora nos contou a verdade! – retrucou Axel – Além do que, qual opção nós temos agora?
Violet sabia que não tinham mais nenhuma opção além de confiar em Rogério. Mas ainda assim era muito difícil confiar em alguém depois que se descobre que este alguém mentiu para você por toda sua vida. Ficaram parados por um momento, e depois a lâmina de Violet retrocedeu e voltou para dentro de seu braço. O doutor respirou aliviado, tirando o excesso de suor do rosto com o jaleco.
-Muito bem, temos que ser rápidos. – falou o doutor – Eles já podem estar nos perseguindo.
Violet ajudou Jennifer a levantar-se, ainda meio chorosa, e puseram-se a andar novamente. Todos os cinco sabiam que suas vidas estavam pra mudar drasticamente.
segunda-feira, 14 de março de 2011
Prólogo do capítulo 4
Uma guerreira solitária olha para seu passado. Acontecimentos que lhe marcaram e amigos que conhecera passam diante de seus olhos e saem por sua boca na forma de palavras. Tudo é fundido e o que resta é uma história triste, difícil de ser contada. O que terá em seu passado que tanto lhe incomoda? Quais seriam os acontecimentos que tanto lhe marcaram a vida? A história secreta da Vigilante é revelada.
sexta-feira, 11 de março de 2011
Agradecimentos e declarações
Primeiro de tudo, vou agradecer a todas as pessoas que tem dado opiniões e comentários sobre a história.
Pra começar, quero agradecer à comunidade Detetive L [Death Note] do Orkut. Participo ativamente da comu, e publiquei a história lá antes de fazer esta blog, para coletar opiniões e cometários. Todos na comunidade foram de grande ajuda, e a eles deixo meu agradecimento o/
Em segundo lugar, agradeço ao povo da E.T.E. Prof. Basilides de Godoy, os basilidianos. Muitos deles leram minha história e me deram opiniões a respeito. Sério, elas foram de grande ajuda, e influenciarão a história daqui em diante. À eles, meu agradecimento o/
Em terceiro, agradeço ao Dimitri, também do BG, que me dá ótimas ideias para continuar a história. Em troca, ele me pede para fazer propaganda do blog dele: http://pleonazismo.blogspot.com/ o/
Agradeço também à Luiza, que fez um post sobre este blog em seu blog. Obrigado por divulgar e por dar opiniões! o/ Acho que o blog dela é este: http://shadynote.yourliveblog.com/
E por último, mas não menos importante, agradeço a você, leitor que visualiza este post, por ter vindo até aqui para ler a minha história. Sua opinião é muito importante, então não esqueça de comentar! (PS: se quiser contar para os amigos sobre este blog pode contar :D)
Agora, vamos às declarações:
Após analisar minha rotina e meu tempo livre, cheguei à conclusão que postarei um capítulo a cada semana, no máximo a cada duas semanas, (salvo em datas especiais como feriados :P) e um dia antes de postar o capítulo eu postarei o respectivo prólogo. Assim terei tempo de escrever a história um pouco à frente do que é postado no blog, caso eu queira fazer alguma pequena mudança.
OK, acabou o momento sentimental. Dentro de poucos dias postarei o glorioso capítulo 4!
o/
Pra começar, quero agradecer à comunidade Detetive L [Death Note] do Orkut. Participo ativamente da comu, e publiquei a história lá antes de fazer esta blog, para coletar opiniões e cometários. Todos na comunidade foram de grande ajuda, e a eles deixo meu agradecimento o/
Em segundo lugar, agradeço ao povo da E.T.E. Prof. Basilides de Godoy, os basilidianos. Muitos deles leram minha história e me deram opiniões a respeito. Sério, elas foram de grande ajuda, e influenciarão a história daqui em diante. À eles, meu agradecimento o/
Em terceiro, agradeço ao Dimitri, também do BG, que me dá ótimas ideias para continuar a história. Em troca, ele me pede para fazer propaganda do blog dele: http://pleonazismo.blogspot.com/ o/
Agradeço também à Luiza, que fez um post sobre este blog em seu blog. Obrigado por divulgar e por dar opiniões! o/ Acho que o blog dela é este: http://shadynote.yourliveblog.com/
E por último, mas não menos importante, agradeço a você, leitor que visualiza este post, por ter vindo até aqui para ler a minha história. Sua opinião é muito importante, então não esqueça de comentar! (PS: se quiser contar para os amigos sobre este blog pode contar :D)
Agora, vamos às declarações:
Após analisar minha rotina e meu tempo livre, cheguei à conclusão que postarei um capítulo a cada semana, no máximo a cada duas semanas, (salvo em datas especiais como feriados :P) e um dia antes de postar o capítulo eu postarei o respectivo prólogo. Assim terei tempo de escrever a história um pouco à frente do que é postado no blog, caso eu queira fazer alguma pequena mudança.
OK, acabou o momento sentimental. Dentro de poucos dias postarei o glorioso capítulo 4!
o/
segunda-feira, 7 de março de 2011
Capítulo 3 – Preparações e esclarecimentos
Estavam agora andando depósito adentro, Ray e a Vigilante. Ela guiando-o pela frente. Subitamente a Vigilante parou por um instante, como se lembrasse de algo. Virou-se para Ray e falou:
-Ah, você mora sozinho?
Ray, surpreendido com a estranha pergunta, respondeu:
-Sim, moro. Por quê?
-Me passe seu endereço, vamos passar lá para pegar suprimentos e etc.
Ray não compreendeu a resposta imediatamente, então deixou para refletir mais tarde. Olho para trás, em direção ao pátio onde lutaram, e falou:
-Ei, mas e quanto àqueles cadáveres, o que faremos?
A Vigilante olhou para os corpos lá fora e respondeu:
-Não são cadáveres. Todos estão vivos, somente desacordados.
Ray não esperava por essa resposta vinda dela. Pensava que ela tivesse matado todos à sangue frio, mas ela somente os desacordou.
-Mas... não seria mais fácil simplesmente matá-los?
-Seria, mas não seria justo. Eles não merecem a morte. Prefiro vê-los atrás das grades. - se esticou da ponta dos pés até os dedos das mãos por uns instantes e continuou – Não que eu tenha coragem de matar alguém, mas só mato pessoas quando for necessário.
“Então é assim que ela age” pensou Ray. “Por mim tudo bem, posso agir da mesma forma.”
-OK, mas o que acontecerá a eles?
Ela parou e observou Ray por alguns instantes, e depois respondeu:
-Antes daquela nossa luta começar eu tinha contatado a Polícia Internacional. Já devem estar chegando para prender todos.
Ray conhecia bem o suficiente e Polícia Internacional. A P.I., como era chamada, foi fundada logo após o início da ditadura, pela ONU, para agir como uma força policial avulsa ao governo. Ela agia como uma polícia normal, porém não era influenciada em nada pelo governo brasileiro, então estava significativamente livre de corrupção. Qualquer violação dos Direitos Humanos ou qualquer negócio ilegal que descobriam, ela agia com autorização plena da ONU para fazer o que fosse necessário para combater o crime. Se agentes do governo forem pegos praticando atividades ilegais, eram impostas represálias ao governo, tanto financeiramente quanto politicamente. Normalmente era muito difícil obter evidências suficientes para condenar os culpados, mas naquele caso a Vigilante tinha os entregado de mão cheia à P.I.: lá estavam milhares de caixotes com muitas evidências para serem tomadas como provas, o que certamente os deixaria na cadeia por um bom tempo.
Agora Ray encontrou sentido em ir à sua casa. Eles tinham de sair dali, o quanto antes, e ir a algum lugar seguro.
-Ah, OK. – respondeu Ray. – Tome meu endereço. – pegou papel e caneta, escreveu o endereço e deu à Vigilante, que o leu e mexeu de leve a cabeça para frente, como se afirmando conhecer o endereço. Guardou o papel num dos pequenos bolsos em seu cinto e falou:
-OK, aqui vai o plano: você ainda não está sendo procurado, então você vai normalmente até lá. Eu sei onde fica, então vou pelo meu próprio caminho para que ninguém me veja. Te encontro lá, certo?
-Certo, estarei lá. –dito isso, a Vigilante acenou com a cabeça, se virou e correu em direção à escada que levava ao nível superior. À metade do caminho, parou e se virou em direção a Ray. Observando-o fixamente, apontou dois de seus dedos para seus próprios olhos e depois os apontou para os olhos de Ray, e depois desapareceu escada acima. Ray entendera o recado. “Ela está de olho em mim.”
Ray olhou em volta. Estava sozinho agora naquele grande depósito. A chuva caía mais fraca agora. Muitas dúvidas e incertezas pipocavam por sua mente, mas não tinha tempo de pensar nelas agora. Tinha que sair dali e ir para casa. Recordou-se do caminho e pôs-se a andar em direção à saída. Passou por todos os seus ex-colegas, agora desacordados; passou pelo caminhão com a carga, com pouca carga a ser descarregada; passou por entre as paredes de tijolo vermelho que davam à entrada de carga e descarga do depósito, e finalmente estava na rua.
A rua estava deserta, como deveria estar às duas ou três da manhã com chuva. Não havia sinal algum de movimento, a não ser pela água da chuva correndo pela sarjeta. Passou pela mente de Ray que dentro de poucos minutos aquele lugar estaria infestado e policiais, o que lhe deu um leve calafrio na espinha. Ajeitou seu casaco e pôs-se a andar para casa. Pelos seus cálculos chegaria em casa dentro de vinte minutos. Imaginava se a Vigilante chegaria lá antes. Pensava em todas as perguntas não respondidas, e se elas seriam respondidas assim que chegasse em casa.
Quando virou a esquina, encontrou outro homem vindo do lado oposto. Continuaram se aproximando, e à medida que se aproximavam, aumentava a tensão no coração de Ray. “Será ele um policial? Ou um assaltante? Não importa, se ele vier para cima estarei pronto para cortá-lo em dois” pensava Ray enquanto se aproximavam cada vez mais. Chegaram o mais perto possível um do outro, olharam um nos olhos do outro, e ambos seguiram seus caminhos sem pestanejar. “São Paulo é uma cidade perigosa à noite, ninguém gostaria de arranjar problemas” pensou Ray.
Ray chegou em seu destino alguns minutos depois. Sua casa, localizada numa rua movimentada no bairro da Lapa, era relativamente simples. Tinha dois andares, pintura bege, uma pequena sacada que dava para a rua. Não tinha garagem, a porta dava diretamente na rua. Pegou as chaves no bolso de seu casaco e colocou-a na fechadura, girando-a e abrindo a porta. Entrou em sua sala, agora escura e poucamente iluminada pela luz do luar. Não havia sinal da Vigilante. Se virou para deixar seu casaco molhado no cabideiro ao lado da porta, aproveitando para trancá-la e acender a luz. Virou-se em direção a cozinha, e foi surpreendido por um vulto azulado que veio rapidamente em sua direção, segurando-lhe pelo ombro e apontando-lhe uma lâmina prateada que atravessava a parte superior de uma luva preta. A Vigilante já havia chegado.
-Por onde você...
-Pela sacada – ela o interrompeu – Não devia deixar seu alarme tão exposto, qualquer um saberia que é só acabar com o sensor que a casa fica desprotegida. E quanto a você, - aproximou a lâmina de seu pescoço, chegando a encostá-la nele – você vai me dizer agora o que quer de mim, ou vou te matar agora mesmo!
-Eu já te disse, eu quero te ajudar!
-Não acredito em você! Você é um criminoso!
-Você também descumpre a lei, não é?
A Vigilante empurrou Ray até a parede, deixando-o acuado. Ray podia ver seus olhos claramente agora: o esquerdo era verde, o direito era azul, e ambos exalavam uma fúria incomensurável. Seus dentes rangiam de raiva, e ela parecia estar pronta para matá-lo sem piedade nenhuma, quando de repente a mão segurando-lhe o ombro afrouxou levemente e ela baixou a vista para baixo, respirando mais pausadamente. Por uns instantes permaneceu nessa posição, até que levantou a cabeça e falou, agora com um tom mais calmo:
-Você somente quer fazer o que acha que é certo fazer, não é?
Ray olhou diretamente nos olhos dela e falou calmamente:
-É só isso. É tudo o que eu quero fazer.
Neste instante ela o soltou, a lâmina que saía de dentro de sua luva fez um leve tinido metálico enquanto voltava para dentro, de onde não podia ser vista. Virou-se na direção oposta e andou poucos metros até a outra parede da casa. Tirou a máscara que usava, colocando-a em cima de um móvel, e virou-se para Ray novamente. Seu rosto, com tonalidade clara, era comprido e um pouco redondo, com curvas suaves, e o nariz era arrebitado, o que lhe dava uma ótima aparência com seus lisos cabelos violeta e seus estranhos olhos de cores diferentes. Apontou para Ray e falou:
-Não confio em você, mas vou deixar você me ajudar. Mas saiba que estou de olho em você. Qualquer desvio de sua parte e...
-OK, acho que não é necessário especificar. – interrompeu Ray – Somente espero ter uma chance de ganhar sua confiança. - Ray colocou as mãos na cintura e relaxou, respirando fundo por uns instantes. Depois alisou o cabelo molhado com a mão direita e falou:
-Está bem, estamos aqui. O que fazemos agora?
Ela apontou com a cabeça para seu banheiro e falou:
-Antes vá se secar. Não é bom pegar um risco de resfriado. Deixei lá também uma camisa seca.
Ele adentrou o banheiro e notou uma toalha molhada, e deduziu que tivesse sido utilizada pela Vigilante para se secar alguns momentos antes. Notou também a camisa que ela tinha lhe deixado. Começou a se secar pelos cabelos, alisando-os com uma toalha. A Vigilante, do lado de fora do banheiro, cruzou os braços e começou a andar pela sala, como que planejando suas futuras ações minuciosamente. Passou alguns instantes observando a pouca mobília na sala de Ray e ouvindo o suave barulho da chuva que caía lá fora, agora mais fraca, e depois começou a falar:
-A P.I. vai prender seus colegas com todas aquelas mercadorias ilegais, então os policiais, mesmo que recebessem propina como normalmente acontece, não conseguiriam inocentá-los. Seus colegas notarão sua ausência, e muito provavelmente vão te denunciar para reduzir suas penas. Então imagino que a polícia virá te procurar aqui pela manhã. – fez uma pausa, observando Ray sair seco do banheiro, de camisa trocada e voltou a falar – Eles devem chegar aqui lá pelas cinco, – olhou no relógio de parede de Ray, bem simples, e continuou – e agora são três, então temos umas duas horas para aprontar tudo e sair daqui.
-Mas para onde vamos, especificamente?
-Não vou te falar, ainda não confio em você. – lançou um olhar cortante sobre Ray, e continuou – Além do mais, só é preciso saber que é um lugar seguro. Agora, vamos aos mantimentos. Vi que você tem uma maleta e uma mochila em seu armário lá em cima. Vamos pegá-las e colocar tudo o que pudermos nelas, começando por armas.
Subiram e Ray pegou a maleta enquanto a Vigilante pegava a mochila. Pegaram todas as armas que Ray tinha em casa, um revólver calibre .38 carregado, uma submetralhadora MP5 de 9mm, munição para ambas, e também uma outra wakisashi, e colocaram tudo na maleta de Ray. Depois desceram para a cozinha, onde começaram a pegar todos os alimentos enlatados. Até agora não houve barulho nenhum por parte de ambos, quando Ray cortou o silêncio:
-Err... você não acha que, já que vamos ser parceiros e tal, precisamos saber o nome e a história um do outro? – ele olhou para e Vigilante, que virou-se para olhá-lo também, e respondeu, com um tom de certa indiferença:
-Bem, ainda temos tempo. Podemos conversar um pouco enquanto trabalhamos aqui. Você começa.
-Bem, - Ray voltou a pegar algumas latas e continuou falando – meu nome é Raymond Silver, mas pode me chamar de Ray.
A Vigilante acenou afirmativamente com a cabeça e falou:
-Prazer em conhecê-lo Ray. Continue.
-Certo. Nasci aqui em São Paulo, e fui criado pelos meus tios. Não ouvi muito falar de meus pais, somente sei que não os vi desde os quatro ou cinco anos de idade. Meu tio é conhecido como Big Al, um dos maiores traficantes que trabalham secretamente para o governo.
Ela se virou para encará-lo e falou, surpresa:
-É sério? Então você pode ser até mais útil do que eu tinha imaginado!
-Não gosto deste seu tom de voz. Não espero ser útil somente nesse quesito. Quero lhe ajudar nas lutas também.
-Está bem, está bem, continue.
-Bem, estudei nas melhores escolas da cidade, porém não fiz nenhuma faculdade. Terminei o ensino médio e entrei de cabeça nos negócios da família. Fiz muita coisa errada, eu sei que fiz, mas sempre tive vontade de fazer a coisa certa, pelo menos uma vez, para compensar tudo o que fiz de errado. – Ray parou e olhou para a Vigilante, que agora estava sentada numa cadeira e estava observando-o atentamente – Agora eu tive essa chance, a melhor que eu já tive na minha vida, e quero aproveitá-la. E essa é minha história.
As palavras de Ray foram seguidas por alguns instantes de silêncio por parte de ambos. A Vigilante parecia estar muito pensativa a respeito da história de Ray. Por fim, foi ele quem quebrou o silêncio:
-Então, não vai se apresentar?
Ela olhou para ele por um tempo, com um olhar distante, quando de repente voltou a si e falou:
-Ah, acho que sim. Tenho três nomes: o primeiro, que você já conhece, é Vigilante. O segundo, que é o que eu menos gosto, é S4.
-S4? – indagou Ray.
-Sim, S4. E por último, o meu nome favorito, que eu considero o meu nome de fato. Meu nome é Violet. Muito prazer. – ela estendeu a mão para cumprimentar Ray, com certa frieza, que retribuiu o cumprimento, um pouco desconfiado.
-Então seu nome é Violet?
-É, me chamavam de Violet por causa do meu cabelo. Se não percebeu, ele é violeta. – levantou algumas mechas para Ray ver de perto.
-Certo... e onde você nasceu?
-Pra falar a verdade, eu não sei. – Ray ficou um pouco confuso com a resposta, e indagou:
-Não sabe? Hum... mas e seus pais, onde estão?
-Também não sei. Na verdade, nem sei se tenho pais. – Ray ficou ainda mais confuso com a história toda, e decidiu fazer uma última pergunta:
-OK então, você pode me contar sua vida “no geral”? – Violet desviou o olhar rapidamente para o chão e falou:
-Bem, acho que posso. Já aviso, é meio longa. Bem, lá vai... – ela inspirou o ar profundamente e segurou-o por alguns segundos antes de soltá-lo, e então começou a falar:
-Tudo começou numa noite de inverno fria e chuvosa, como esta...
Prólogo do capítulo 3
A batalha termina com ambos os lados vencedores. Ambos se unem pelo mesmo objetivo. Eles não procuram por glória ou por fama ou por fortuna; eles procuram fazer o que acham que deve ser feito. A jornada será longa e árdua, ambos sabem disso, mas ambos têm a determinação para seguir em frente. Ambos têm coragem de desafiar milhares por causa de um bem comum. Mas agora que esta batalha terminou, para onde vão? O que vão fazer? Desconfiança e dúvidas pairam no ar sobre suas cabeças. Ray e a Vigilante se preparam para sua jornada.
sexta-feira, 4 de março de 2011
Capítulo 2 - A batalha pelos ideais
Ao ouvir a fala da garota, Ray dá uma gargalhada de deboche, e fala:
-Menina, acha mesmo que pode sair por aí vestida de super-herói e combater o crime sozinha? Se você fosse pelo menos um pouco mais velha, até que teria certa coerência, mas você é só uma criança! O que acha que pode fazer?
A Vigilante olhou fixamente nos olhos de Ray e respondeu friamente:
-Eu posso fazer o que eu quiser, mas escolhi fazer isso!
Ao dizer essas palavras, a Vigilante girou e deu uma rasteira em Ray, que caiu no chão, atordoado. Ela saltou no ar e ganhou certa distância, enquanto Ray levantava e se recuperava. Ambos estavam de pé agora, olhando fixamente um para o outro, ambos tentando adivinhar qual seria o próximo movimento do outro. Ray correu em direção dela, empunhando sua katana acima de sua cabeça. A Vigilante se preparou para o golpe, que veio com rapidez. O golpe veio de cima para baixo, mas ela conseguiu desviar para a esquerda, por um triz não cortando as pontas de seus cabelos. Ray já preparava-se para desferir outro golpe, desta vez vindo de baixo, mas a perna da Vigilante foi mais rápida e acertou-lhe o peito. Ray cambaleou para trás, respirou por um momento, recuperando-se do choque, e falou:
-OK Vigilante, acho que subestimei suas habilidades.
Ela retrucou com tom zombeteiro:
-Na verdade, quase todos fazem isso...
-Mas agora que vi do que é capaz, vou lutar pra valer!
-Você não viu nem a metade do que eu sou capaz! Isto é só o começo!
Os dois retornaram às posições de luta, e se focaram na batalha diante de seus olhos. A luta continuou, ambos dando tudo o que tinham; ambos determinados a vencer. Socos foram trocados; chutes foram esquivados; golpes foram parados. A luta durou alguns minutos, ao final da qual ambos estavam pouco cansados, de pé e sem ferimentos graves. “Droga”, pensou Ray. “Ela luta com muita coragem, mais coragem do que qualquer um com quem já lutei. Mas ainda há uma coisa que preciso saber.” Olhou nos olhos da heroína mascarada e bradou com voz firme:
-Vigilante, há uma coisa que quero saber antes que essa luta termine. Você me disse que poderia escolher o que quisesse, mas por que escolheu isso?
A Vigilante retrucou o olhar e esbravejou com fúria:
-Porque alguém tem que fazer isso, merda! Alguém tem que fazer o que eu faço!
Ray se calou. De repente, via todas as decisões que tomara em sua vida passar diante de seus olhos. Muitas delas, a maioria, eram decisões que Ray sabia que eram más, mais ainda sim as tomara. Ele sabia que tinha sempre escolhido o caminho mais fácil, porém o errado; a Vigilante, aquela garota de cabelo esquisito, escolheu o caminho que ele não teve coragem de seguir. O caminho mais difícil, porém o certo.
Olhou para a Vigilante, pensativo, e ela esbravejou:
-Vamos, ria novamente, como todos os outros que já riram! Eu não dou a mínima, eu faço o que acho que é certo fazer!
Ray não sentia vontade de rir dela. Ao contrário: ele sentia vontade de dar-lhe os parabéns por ter a coragem que ele não teve de escolher o caminho certo. Agora a via com outros olhos. Antes achava que era uma maluca que se vestia de super-heroína para salvar o dia como nas histórias em quadrinhos; mas agora percebia que ela era somente alguém que fazia o que achava certo, mesmo que lhe levasse à morte, ou coisa pior. Agora, Ray admirava a Vigilante. E queria ajudá-la em sua jornada. Embainhou sua katana, e falou:
-Vigilante, vejo que você tem um objetivo concreto. Quero ajudá-la a completar esse objetivo. Quero fazer o que deve ser feito, pelo menos uma vez na vida. Vigilante, quero me unir a você!
Ela observava a cena, incrédula. Ficou muda por uns instantes, e depois falou, um pouco desnorteada:
-É... é sério? Você... quer se... unir a mim? Como... parceiros?
-Sim, como parceiros. Acabo de perceber o quão idiota e covarde eu tenho sido durante todos esses anos, e quero me redimir. Por favor, deixe-me lutar ao seu lado pelas batalhas que virão!
-Mas e se você me entregar depois? E se me armar uma emboscada? Eu não confio em você! – de repente, saíram lâminas prateadas das partes superiores de seus pulsos, indo em direção às suas mãos. “Então era assim que ela conseguia se defender de meus ataques de espada, ela tinha lâminas ocultas nos antebraços”, pensou Ray.
-Você está certa, eu poderia te trair, mas você vai precisar de mim!
-Ah é? E Por que eu precisaria de você? – ela levantou os braços, pondo-os em posição de ataque.
-Porque eu conheço todo o esquema! Eu sei onde eles estão, como eles agem, sei toda a estrutura do crime organizado e do governo! Juntos, sei que podemos acabar com tudo isso! Sou sua melhor ajuda agora!
Ray sabia que ela precisaria dele, e sabia que ela não poderia recusar sua ajuda. Ela olhou para os lados, pensativa, e dentro de poucos instantes as lâminas que saíram da parte superior de seus pulsos voltaram para debaixo de suas roupas. Apertou seu cabelo violeta com as mãos, para tirar o excesso de água da chuva, que agora caía com mais força, olhou para Raymond e falou:
-Bem, não tenho muita escolha, essa luta iria demorar muito. Vamos sair daqui. – E fez um gesto com a mão direita para segui-la.
quinta-feira, 3 de março de 2011
Prólogo do capítulo 2
Duas lâminas se encontram na chuva. Elas faíscam e se enfrentam bravamente, nenhuma delas temendo a morte. Uma delas é fria e sem vida, sem esperança e sem desejos; a outra, quente e vívida, anseia por liberdade, e está determinada a fazer tudo o que for possível para consegui-la. Qual delas sairá vitoriosa? Qual delas sobreviverá ao final de tudo? Começa a batalha entre Ray e a Vigilante.
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Para dar uma pequena acelerada, hoje estou publicando o prólogo do capítulo dois, e amanhã publicarei o capítulo dois completo, a emocionante luta entre Vigilante e Ray! Não percam!
Ah, não esqueçam de comentar e divulgar aos amigos! Quanto mais gente comentando, melhor a história fica! o/
terça-feira, 1 de março de 2011
Capítulo 1 – Pensamentos numa noite de verão chuvosa
Era uma noite fria e chuvosa. O tipo de noite que ninguém gostaria de enfrentar para poder trabalhar. Mas lá estava ele, Raymond Silver, ou simplesmente Ray, carregando caixas no meio da chuva. Esse era seu trabalho, carregar caixas no meio da noite. Ray sabia muito bem o que havia naquelas caixas, mas não ligava. Enquanto a ditadura continuasse e ele continuasse a ganhar dinheiro carregando caixas no meio da noite, tudo bem. Não que não se importasse com justiça, mas achava que aquele era o jeito mais fácil de sobreviver em seu país. O mais fácil, mas não o mais certo. Pelo menos desde a época em que nascera.
Ray nasceu em 2020, naquela mesma cidade, São Paulo. A ditadura existia desde 2013, então Ray nunca presenciou um governo democrático em seu país. Seus pais, John Silver e Nora James Silver, eram jornalistas que faziam parte do Movimento em Prol da Democracia, grupo que tentou restaurar a república como forma de governo no país, sem sucesso. Seus líderes e membros foram presos e, a partir daí, não se sabe o que aconteceu a eles. Somente poucos membros conseguiram escapar e continuar o movimento, que teve sua força drasticamente reduzida. Ray tinha cinco anos quando isso ocorreu.
Com os pais desaparecidos, Ray foi morar com os tios, no centro, onde aprendeu a viver por conta própria. Com o tio, aprendeu um dos negócios mais lucrativos da época: contrabando de drogas. Durante a ditadura era muito mais fácil contrabandear drogas, pois o governo dava incentivo em troca de um punhado de dinheiro para os cofres públicos. O negócio era sujo, mas fácil.
Ray treinou artes marciais com os melhores mestres do Oriente. Encontrou seu estilo de luta preferido, o kenjutsu, que usa espadas. Ray começou a levar uma katana, espada japonesa longa, e uma wakisashi, espada curta, consigo, para proteção.
Agora, em 2042, Ray estava com 22 anos, e tinha se tornado um homem forte e ágil, bem esperto para o padrão de sua época. Era alto e magro, porém muito elegante apesar de suas roupas de segunda mão. Tinha cabelos lisos e pretos, como um galã de cinema. Conseguiu um emprego no negócio do tio, e nele trabalhava desde então. Ray sabia que os negócios do tio eram ilegais, mas agindo do jeito que agia sabia que tudo ficava mais fácil, por mais que sentisse necessidade de agir corretamente. Ele queria fazer a coisa certa pelo menos uma vez na vida.
A chuva apertou, e Ray parou de lembrar de detalhes de sua vida e continuou a carregar as caixas. Olhou em volta, viu que todos tinham dado uma pausa para descanso, deixou sua caixa no depósito e juntou-se aos rapazes.
-Ei caras – disse Mihael, um de seus companheiros, com quem trabalhava à tempos – vocês ouviram falar naquele justiceiro que anda por aí lutando contra o crime?
-Claro que sim, idiota – disse Roberto, outro dos companheiros de trabalho de Ray – É impossível não ter ouvido falar nele, com todas as notícias nos jornais. O que tem ele?
-Bem... – resmungou Mihael, pensativo – nosso trabalho é, tecnicamente, ilegal, não é?
-Claro que é, e daí? – respondeu Roberto, num tom de voz alto.
-Não acham que ele pode vir aqui e...
Nesse instante, apareceu na chuva Richard, o chefe da divisão de Ray. Richard estava envolvido no negócio desde o início da ditadura e, por isso, sabia todos os truques e macetes. Era um dos capangas mais confiáveis do tio de Raymond. Era alto, forte, vestia seu sobretudo e chapéu cinza, como sempre vestia quando aparecia em público.
-Mesmo se esse “justiceiro” aparecer, – grunhiu Richard, olhando fixamente para Mihael – ele não vai sair daqui vivo. Temos armas, temos Ray e sua espada – apontou para Raymond – e temos Shawn lá em cima cuidando das coisas aqui em baixo.
Todos olharam para cima e avistaram Shawn com seu rifle no topo do prédio.
-Agora voltem ao trabalho – falou Richard, e todos voltaram ao trabalho.
Ray continuava trabalhando, mas ao mesmo tempo pensava sobre esse “justiceiro”. Seria ele tão forte a ponto de poder combater o crime sozinho? E por que alguém faria isso? Teria ele um motivo especial para fazê-lo? O que levaria uma pessoa a arriscar a própria vida para combater o crime que o Estado tanto patrocina por trás dos panos? Sinceramente, Ray queria se encontrar pessoalmente com esse justiceiro, somente para descobrir o que o motivava tanto.
Ray olhava para o céu agora. Estava encoberto de nuvens, e não dava sinal de que a chuva cessaria. Não havia nada lá em cima. Ray sentiu que havia alguma coisa faltando. Logo descobriu o que era. Shawn não estava mais lá. Onde teria ele ido?
-Richard – chamou Ray – olhe. Shawn sumiu.
Richard olhou para o local onde Shawn deveria estar, e de fato ele não estava lá. Chamou-o pelo rádio, mas não obteve resposta alguma.
-Estranho... – falou Richard – Homens, fiquem atentos. Talvez o idiota só tenha ido ao banheiro, mas é melhor ficarmos preparados para tudo.
Ray suspeitava o que estava por vir. Talvez o justiceiro os fizesse uma visita naquela noite. Ou talvez Shawn somente tivesse ido ao banheiro. Queria que fosse a primeira opção. Em todo caso, ficou preparado para o inesperado.
Ouviu-se um baque no chão. Uma das caixas tinha caído. Todos se viraram para o canto onde ela tinha caído. Richard pôs a caixa que tinha no chão e gritou:
-Quem foi o idiota que deixou essa maldita caixa...
Parou no meio da frase. Havia avistado o que os outros já tinham avistado momentos antes. O idiota que deixou a caixa cair jazia inconsciente ao lado da mesma. Todos correram para o local onde Roberto caíra. Checaram seu pulso. Estava vivo.
-Que merda. – disse Richard – Alguém sabe se ele tem alguma doença ou coisa do tipo?
-Ele tem pressão baixa. – disse Rafael – Deve ter esquecido de tomar o remédio.
-Bem, se é só isso, - replicou Richard – ele deve acordar logo. E quando ele acordar, eu vou fazê-lo dormir novamente por ter quebrado uma das caixas. Voltem ao trabalho.
Deixaram Roberto ali mesmo, no chão. Ray percebeu que Mihael já estava começando a ficar preocupado com tudo aquilo, e Richard também. Olhou para cima, e nada do Shawn voltar. Se tivesse ido ao banheiro, já teria voltado. Estranho.
Ray e os outros continuaram a carregar as caixas. Uma a uma, elas iam sendo deixadas no depósito. Depois de colocar no chão mais uma caixa, Ray se levantou e observou a situação ao seu redor. Viu a chuva espessa cair no chão. Viu a escuridão que reinava no depósito, e a mínima claridade que adentrava das janelas. Viu Richard, viu Mihael, mas não viu Rafael.
-Mihael, você viu o Rafael? – Mihael se virou para Ray. Estava claramente estressado.
-Não, não o vi. Onde será que ele se meteu?
Olharam para umas caixas no depósito. Nesse instante, um lampejo de luz surge do céu, iluminando parcialmente e rapidamente o depósito todo. Perceberam que havia uma silhueta no chão. Aproximaram-se e viram que era Rafael. Estava inconsciente, assim como Roberto estava. Foi nesse instante que Ray teve certeza que o tal justiceiro estava ali e viera para pegá-los.
Ray olhou para Mihael, que estava paralisado de medo. Mihael sempre fora assim. Correu para avisar Richard, berrando enquanto corria:
-Richard! Tem alguma coisa acontecendo! Rafael também está inconsciente! Richard!
Ray acompanhou Mihael com os olhos até que ele saísse de seu raio de visão. Desembainhou sua katana, fazendo o mínimo de barulho possível. “Que linda situação em que fui me meter”, pensava ele. “Uma pessoa procurada pela polícia está aqui, batendo à minha porta, e eu estou aqui, mais pronto do que nunca para cortá-la ao meio. Que excitante.”
De repente, Ray notou que Mihael parara de gritar. “É isso. Ele já foi pego”, pensou ele. ”Esse justiceiro é bom. Tenho que tomar cuidado para que eu não seja o próximo. Para ter mais chances, vou juntar-me a Richard.” Ray correu para onde Richard estava, dentro do caminhão. Entrou e procurou por ele, mas o encontrou desacordado lá dentro. “Merda, ele conseguiu derrubar Richard. Tenho que admitir, esse cara é durão” pensou ele. Saiu do caminhão, onde poderia ser facilmente encurralado, e ficou em pé, parado, do lado de fora. A chuva caía intensa, poderia usar dela para saber onde ele estava. Fechou os olhos e se concentrou no barulho da chuva. Ficou só ouvindo, preparado para dar um golpe com sua katana caso ouvisse alguma coisa ao seu redor. E ele ouviu.
Ray ouviu passos em sua direção. Eram rápidos, eram passos de quem corria para atacar, e vinham de seu lado esquerdo. Esperou os passos chegarem mais perto, para poder acertá-lo com um único e fatal golpe. Abriu os olhos e, numa fração de segundo, se virou para encarar o justiceiro e atacou com sua katana. Tudo que se ouviu foi um barulho de metal tinindo e uma pequena faísca. O justiceiro acabara de se defender do ataque.
Agora Ray podia ver claramente a figura do justiceiro. Para sua surpresa, ele tinha uma figura feminina. Pela sua silhueta, aparentava ter de 14 a 16 anos de idade. Estava usando botas pretas, que quase iam até seu joelho; sua roupa era azul escura, e revelava suas curvas suaves, bem definidas; usava um cinto preto, com montes de pequenos bolsos; vestia ainda luvas pretas, que iam até seu cotovelo; seus ombros estavam descobertos, revelando sua pele, que era clara; no peito, um símbolo, que Ray identificou como uma letra “V” estilizada, em branco; sua face, parcialmente escondida por seu cabelo curto, repicado, com uma estranha tonalidade de violeta, vestia uma máscara que lhe encobria desde pouco acima do nariz até as sobrancelhas, porém revelando seus olhos esverdeados; Ray notou que seu olho direito, curiosamente, era mais azulado que o outro.
Ray notou que o justiceiro estava se defendendo de seu golpe com o braço esquerdo. “Deve ter alguma chapa de aço dentro da luva”, pensou ele.
- Ora, ora, - falou ela, com uma voz suave – você foi o único desses caras que não teve medo de mim. Você deve ser durão.
-Heh. – debochou Ray, sorrindo. “Finalmente tenho a oportunidade de enfrentar essa justiceira. Ela deu conta de todos os outros, isso vai ser interessante.” Pensou ele.
-Menina, - disse ele – me diga seu nome para que eu possa escrevê-lo na sua lápide!
Ela sorriu por um instante, e falou:
-Você pode me chamar de... Vigilante.
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