Os cinco estavam agora andando pelo estreito corredor que levava ao depósito de lixo do complexo. A cada passo que davam mais forte ficava o cheiro de lixo. Podiam ver alguma luz no final do corredor, o que os motivou a continuar andando. Quando o corredor acabou, viram-se cercados por diferentes tipos de dejetos, e estavam pisando numa espessa camada de lixo. O depósito era um imenso cubo de concreto, com muitos dutos e entradas de serviço vindas de todo o complexo. Depois de um certo tempo o lixo era retirado em grandes caminhões e transportado para um aterro sanitário especial, escondido, para que eventualmente ninguém pudesse encontrar algo que tenha sido descartado. O cheiro lá dentro era horrível e o ar, tóxico, por isso não era bom gastarem seu tempo ali.
-Doutor, - começou Edge, em vista da situação em que se encontravam – você por acaso tem algum plano de fuga?
Rogério fitou-lhe com um olhar um pouco incerto, e respondeu:
-Na verdade, meu plano tinha acabado a um minuto...
Edge e os outros se entreolharam, cada um tentando arquitetar um plano para saírem dali. Não demoraria muito para que os encontrassem lá, mas se o fizessem talvez já estivessem mortos por conta do ar tóxico. Foi Jennifer quem tomou a iniciativa e falou:
-Acho que teremos mais chance se nos dividirmos em grupos. Violet e Axel – apontou para os dois – vão por um lado, e o doutor, Edge e eu vamos para o outro lado.
Os quatro fizeram um sinal afirmativo com a cabeça, e logo estavam prontos para partir. Porém antes de partirem Rogério chamou Violet e Axel e falou:
-Qualquer coisa, se no final disso tudo nos separarmos, procurem o Dr. Ramon Vilarín, em São Paulo. Ele é um amigo meu, e é confiável.
Violet observou a expressão na face de Rogério. Parecia estar muito preocupado com tudo aquilo.
-Talvez não precisemos disso. – disse ela – Faremos o máximo possível para encontrá-los lá fora.
Nenhum deles sabia por onde sairiam, e os rádios comunicadores só tinham um alcance de 750m, portanto realmente não sabiam se poderiam se encontrar mais tarde. Além do mais, os comunicadores poderiam ser facilmente rastreados lá dentro, então não era uma opção muito segura, e lá dentro também havia câmeras de segurança. Sabiam que a fuga seria muito difícil, mas não tinham escolha, tinham que tentar.
Jennifer veio na direção de Violet e a abraçou, dizendo em seu ouvido:
-A gente se encontra lá fora!
Soltou-a e juntou-se a Edge e Rogério, que logo acenaram uma despedida. Violet e Axel a retribuíram, e logo ambos os grupos partiram, um para cada lado. Entraram em diferentes passagens e perderam-se de vista.
Agora Axel e Violet tentavam andar o mais depressa possível, e com o mínimo de barulho. Conseguiam enxergar parcialmente no escuro, portanto não precisavam de uma lanterna. Não sabiam como, mas pensavam agora que talvez fosse resultado de algum dos experimentos em que o governo os envolveu. Logo chegaram ao final da passagem, uma passagem de ar com aberturas pelo qual podia-se ver e ouvir o que se passava do outro lado. Espiaram e viram um corredor com somente uma saída, que era uma junção com outros corredores logo à frente. Vigiando os corredores adjacentes estavam dois soldados vestidos com um uniforme militar e armados com rifles de assalto. Violet e Axel pararam e ouviram a conversa dos dois:
Eles são realmente difíceis de encontrar – disse o da direita, mais baixo e fisicamente mais fraco que o da esquerda.
-São mesmo – respondeu o outro – Não duvido que já tenham escapado.
-Será que é verdade o que dizem? Será que eles tem superpoderes?
-Claro que não! – falou o da esquerda – Ninguém tem superpoderes, isso não existe. E mesmo que tivessem, quais seriam?
-Dizem que eles são invisíveis. Dizem que eles podem te matar só com o olhar. – falou o outro, um pouco preocupado.
-Isso é besteira. – retrucou – Nenhuma pessoa consegue...
Parou de falar, porque seu pescoço foi quebrado pelas mãos de Axel, por trás, que o girou em 180º. Também por trás, poucos décimos de segundo depois, Violet usou as lâminas em seus braços para cortar o pescoço do menor, espirrando sangue por quase todas as direções. Poucos segundos se passaram e os dois soldados jaziam no chão, sem vida.
Violet e Axel não se sentiram sequer incomodados pelo ato que acabaram de cometer. Foram exaustivamente treinados para se manterem calmos em qualquer situação, e também receberam treinamento especial de assassinato silencioso, então aquilo tudo não era novidade para eles.
Analisaram os pertences dos soldados e encontraram granadas, que foram coletadas, e um mapa daquele setor. Observaram o mapa atentamente, procurando a saída mais próxima de onde eles se encontravam. Encontraram uma entrada de serviço, que dava na superfície, mas teriam que passar por alguns corredores e depois por uma sala marcada no mapa como “Sala de pessoal” para chegar lá. Se entreolharam, imaginando o que os esperava pelo caminho, e Axel falou:
-Nós vamos conseguir. Estamos perto.
Violet concordou com a cabeça e ambos foram em direção à saída. Enquanto corriam pelos corredores, Violet pensava em tudo o que tinha ocorrido naquele dia. Ela não tinha sofrido um acidente quando criança, ela tinha sido usada como um experimeto científico; ela não ganhou os braços e pernas que tinha para sobreviver, e sim para ser uma arma; ela não recebeu todo aquele treinamento, tanto físico quanto psicológico, para ajudar o governo que a ajudou, ela recebeu todo aquele treinamento para ajudar o governo que não a ajudou, mas que mentiu e lhe roubou toda a sua infância. “Podia ter tido uma vida normal” pensava ela, “mas não tive. Fui obrigada a fazer coisas que não queria, fui obrigada a viver uma vida que eu não queria viver.” Violet estava muito furiosa por dentro, mas sabia que não podia soltar sua raiva porque poderia comprometer sua fuga. Devia reprimir suas emoções, recebeu treinamento para isso, mas naquele momento era muito difícil.
Os dois viraram num corredor e se depararam com um soldado andando em sua direção, virando no corredor onde acabaram de sair. O soldado foi surpreendido pela figura que tinha encontrado, e somente conseguiu apontar sua arma quando era tarde demais. Violet tinha perfurado seu estômago com suas lâminas, e Axel pulou e deu-lhe um poderoso chute na cabeça, que o desacordou rapidamente. O soldado foi deixado no chão, quase morto, e os dois retomaram o caminho. Logo chegaram à Sala de Pessoal. Estavam num piso superior, com uma escada logo ao lado, de onde podiam observar a situação lá embaixo. A sala era quadrada, alta, toda revestida de metal, com cinco extensas fileiras de armários, que iam até o final da sala. De onde estavam podiam contar oito soldados patrulhando a área, todos armados com uniformes militares, metralhadoras de curto alcance e alguns outros pequenos adereços, dois soldados para cada corredor de armários.
Violet e Axel sabiam que aquele era o momento definitivo de suas fugas. Se passassem daquilo, estariam livres. Armaram um plano, cochichando.
-Eu pego os quatro da esquerda – disse Violet.
-E eu os quatro da direita – completou Axel.
Armado o plano, os dois se posicionaram logo acima dos inimigos, e iniciaram silenciosamente uma contagem regressiva. Estavam calmos com aquela situação, eles foram treinados para situações como aquelas, e quando a contagem chegou a zero, ambos pularam em um dos quatro corredores, e Violet perdeu Axel de vista.
Os dois soldados que estavam no corredor não tinham percebido sua presença, então ela pegou uma pequena granada em seu cinto e puxou-lhe o pino com a boca, depois jogando-a no corredor ao lado, para abater os dois soldados que lá estavam. Andou até o soldado logo a sua frente, que estava de lado e não a percebeu chegando, e segurou-lhe por trás da cabeça e cortou-lhe o pescoço com a lâmina em seu braço direito. O outro soldado rapidamente percebeu a movimentação de seu parceiro e virou-se, finalmente visualizando sua inimiga. Começou a atirar-lhe com a metralhadora que tinha em mãos, e Violet segurou bem firme o soldado que acabara de matar, usando seu corpo como um escudo. A granada que tinha jogado no outro corredor finalmente explodiu, e ela e o soldado restante ouviram gritos de dor vindos do outro lado. O soldado continuou atirando, sem acertar sequer um único tiro em sua oponente, que agora pensava em alguma maneira de agir. Sacou a pistola que tinha em seu cinto e começou a atirar de volta, apoiando a arma no ombro no cadáver que segurava. Tinha recebido extenso treinamento de uso de armas de fogo, então mirou com precisão na cabeça do inimigo, tirando-lhe a vida com um tiro certeiro.
O soldado foi ao chão, morto, e Violet soltou o cadáver que segurava, que agora estava com muitas perfurações decorrentes dos disparos a qual foi submetido. Ouviu sons de disparos vindos de outro corredor, e deduziu que Axel estava cuidando dos outros quatro soldados naquela sala. Já havia visto ele lutar inúmeras vezes, contra os mais diversos inimigos e nas mais diversas condições, e nunca o vira perder sequer uma vez. Ela confiava sua vida a ele, por isso estava certa de que cuidaria de tudo. Estava com algumas manchas vermelhas de sangue em sua roupa, mas não se importou com isso, concentrando-se em seu objetivo. Olhou para cima, procurando por câmeras, e avistou duas que podiam ver o que se passava por toda aquela sala. “Eles já sabem onde estamos” pensou ela. “Logo devem chegar reforços, temos que nos apressar.” Deu uma olhada no corredor onde tinha explodido a granada, para checar se alguém tinha sobrevivido. Viu que não, e correu até o final da sala, até a porta de saída. Abriu-a, e deparou-se com um corredor longo e largo, retangular, com uma porta de aço ao fundo, posta ao lado de um aparelho que Violet identificou como sendo um detector de digitais. “Preciso de uma mão aqui” pensou ela.
Correu em direção ao início da sala, e encontrou Axel vindo em sua direção. Também estava manchado de sangue da cabeça aos pés, e ao ver Violet correndo na direção oposta à que deveriam ir perguntou-lhe:
-Violet, aonde está indo?
-Vai indo na porta, que eu vou pegar uma coisa lá atrás e já volto! – respondeu ela, ainda correndo e com um leve sorriso no rosto.
Chegou ao local onde tinha explodido a granada, e procurou por uma mão. Por sorte achou uma que tinha sido arrancada com a explosão da granada, então bastou pegá-la e correr de volta à porta do corredor, onde Axel a esperava. Juntos correram em direção à porta de saída, Violet indo na frente, ansiosa. Não queria passar mais um minuto naquele lugar, onde lhe foi privada da verdade por toda a vida. Quando alcançaram a metade do corredor, chamaram o outro grupo pelo rádio. Foram respondidos por Edge:
-Estamos bem, já localizamos uma saída, e estamos indo para ela. Qual a sua situação? Câmbio.
-Estamos saindo agora. – respondeu Axel, com voz firme – Logo estaremos fora e procuraremos um lugar seguro. Câmbio.
-OK, nos encontramos lá fora. Câmbio e desligo.
Axel guardou o rádio, e seguiram em frente. Agora faltavam poucos metros para saírem de lá, então Violet começou a correr ainda mais rápido, ansiando por liberdade. Imaginava como seria viver lá fora, entre todas as pessoas e todo o mundo. Voltou a si quando percebeu que tinha acionado um mecanismo com os pés. Ouviram fortes sons de engrenagens por trás das paredes, e passou pela mente de Violet que ela tinha estragado tudo.
Uma rede foi disparada de um pequeno buraco em cima da porta de saída. Diante da ameaça, Violet não fechou os olhos: foi-lhe ensinada a nunca fechar os olhos diante do perigo, mesmo que fosse de morte. Ao invés disso ela rapidamente começou uma manobra evasiva, mas estava muito perto da rede, sem chances de se esquivar. Já se preparava para o choque iminente, quando sentiu um forte empurrão vindo de trás: era Axel, que a empurrava com toda sua força para o lado. Tinha uma força sobre-humana, então Violet foi violentamente arremessada contra a parede do corredor, escapando por pouco de ser pega pela rede. Axel não conseguiu se desviar, e a rede o envolveu por completo, fixando-se fortemente no chão em seguida. A ação toda se passou em menos de três segundos.
Violet se recuperou do forte choque contra a parede e logo viu que Axel fora capturado. Parecia estar sentindo muita dor, porque não estava conseguindo mexer-se muito bem por baixo da rede, mas parecia estar resistindo à dor pois não gritava nem reclamava. Ela correu em sua direção para socorrê-lo, mas quando encostou na rede para arrancá-la sentiu uma forte corrente elétrica passar por todo seu corpo, e soltou um pequeno grito de dor. Recuou alguns passos, recuperando-se do inesperado choque elétrico, e tratou de pensar em uma outra maneira de livre-lo de lá. Reforços estavam à caminho, então não tinha muito tempo para ficar refletindo.
-Axel, vou te tirar daí! Só espere um momento! – gritou ela à Axel, para tentar acalmá-lo. Tentou cortar a rede com a lâmina em seu braço, sem sucesso: não podia evitar a eletricidade, e a rede parecia ser reforçada, quase que imune à cortes. Com a força da corrente elétrica, Violet calculou que teria pouco tempo antes que ele desmaiasse por conta da eletricidade. Axel, resistindo fortemente à corrente elétrica, disse em voz baixa e fraca:
-Violet...
-Eu já sei o que você vai falar, vai falar para eu te deixar aqui! – disse ela, considerando todas as opções possíveis que podia pensar – Mas eu não vou te deixar, vamos sair dessa juntos!
Sacou sua pistola e tratou de atirar contra o tecido da rede, que não mostrou fraqueza e resistiu aos disparos sem dificuldades. Parecia ser um pouco elástico, não era um tecido comum. Estava quase sem opções, então tentou cortar a rede com sua lâmina novamente, desta vez segurando a rede com a outra mão, para ser mais efetivo. Segurou-a e começou a sentir a forte corrente elétrica fluindo por seu corpo, mas se esforçou ao máximo para manter o controle da dor e tentar cortar a rede. Começou a cortar com sua lâmina, vagarosamente, com o braço trêmulo da dor que sentia, mas por mais que tentasse, por mais que se esforçasse, a rede não cedia. Sem agüentar mais um segundo de dor, Violet soltou a rede e recuou, esgotada. Axel então juntou todas as forças que ainda lhe restavam e gritou:
-Violet, Saia daqui! Não há tempo! Se ficar tudo isso seria perda de tempo!
Ela não queria acreditar, queria pensar em alguma maneira de saírem juntos dali, mas no fundo sabia que não poderiam. Uma onda de decepção e tristeza a abalou por dentro, fazendo-a perder momentaneamente a noção de tudo o que acontecia. Tinha que tomar uma decisão, por mais difícil que fosse: ou somente Axel seria capturado, ou ambos seriam. Axel não queria que tudo fosse em vão, que eles tivessem chegado até ali para nada; ele queria que Violet escapasse, queria que ela o abandonasse para se salvar. Ela certamente queria sair dali, mas não deixando Axel para trás. Muitos pensamentos passavam por sua mente, influenciando-a para que tomasse uma decisão logo. Sentiu um terrível aperto no coração ao finalmente se decidir.
Correu em direção a Axel e inclinou-se sobre o mesmo, pegando o rádio que estava em seu cinto e falando, com raiva:
-A gente ainda vai se encontrar depois! É uma promessa! – dito isso, virou-se e correu em direção à saída. Pequenas lágrimas começaram a sair de seus olhos, enevoando-lhe um pouco a visão. Respirou fundo e continuou se caminho, pegando a mão do soldado que tinha caído no chão. Logo chegou à porta e encostou a palma da mão que tinha recolhido no detector de digitais. A porta fez um estalido metálico, e uma pequenina luz verde acendeu no painel ao lado. Violet olhou uma última vez para trás, vendo o corpo de Axel estirado no chão, coberto pela rede, e deu uma última declaração a seu parceiro:
-A gente vai se ver de novo! – abriu a porta e atravessou o portal, sem olhar para trás, e em seguida a fechou.
Estava do lado de fora agora. Estava escuro, e podia ouvir um barulho de chuva embora não a sentisse cair em seu corpo. Mal observou os arredores e ligou o rádio, tentando contactar o outro grupo.
-Jennifer! Edge! Rogério! – ela falava alto e claramente, mas só recebia sons estáticos de volta. Presumiu que o rádio não estava mais funcionando devido ao choque que recebera quando a rede caiu sobre Axel. Virou-se para a parede ao seu lado e socou-a, tentando esvair-se da raiva que sentia por dentro. Lágrimas de tristeza caíram de seus olhos, que agora estavam fechados para que Violet pudesse se concentrar. Deixara um amigo para trás, não podia contactar os outros três, e estava completamente sozinha num lugar completamente estranho. Passou-lhe pela mente que não poderia ficar por ali por mais tempo, visto que a razão pela qual abandonara Axel era por que reforços estavam chegando. Abriu os olhos e observou onde se encontrava: via a porta por onde veio, e em sua frente uma pequena rampa coberta, levando até um lugar aberto e pouco iluminado, onde caía a chuva. Correu para a luz, e logo sentiu a água fria da chuva sobre seu rosto descoberto. Estava agora num tipo de beco, com algumas latas de lixo em sua volta, e com uma pequena saída para a rua. Olhou para cima, para observar de onde veio, e vislumbrou um enorme prédio comercial, com no mínimo vinte andares.
Tendo analisado a área, Violet planejou sua fuga com cautela. Decidiu-se por subir ao prédio ao lado, mais baixo, e depois observar a região a sua volta. Apontou seu braço direito para o topo do prédio, e dele saiu um gancho em alta velocidade, com uma corda, que perfurou a fachada do prédio. Ela então foi puxada pelo gancho, subindo com facilidade até o topo. De lá, mesmo que estivesse escuro, podia distinguir certos edifícios na paisagem: viu de longe dois prédios altos, iluminados pelo chão, ao lado de outro prédio menor com duas estranhas cúpulas brancas sobre ele; conseguia ver muitos outros prédios, de tamanhos e materiais variados; or prédios não ocupavam toda a paisagem: podia ver muitas rodovias, todas com bastante movimento, levando a várias direções. Nunca tinha visto aquela cidade ao vivo, mas sabia muito bem onde estava: estava em Brasília, a capital do país.
Não tinha tempo para observar a paisagem, tinha que sair de lá o mais rápido possível. Mas para onde iria? O que faria? Agora somente tinha uma escolha, somente uma pessoa em quem confiar: iria para São Paulo, encontrar-se com o Dr. Ramon Vilarín.
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